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Abril não tem meia idade! 25 de Abril sempre!

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Abril não tem meia idade! 25 de Abril sempre!

Ideias

2024-04-18 às 06h00

Isabel Estrada Carvalhais Isabel Estrada Carvalhais

Em breve, a esmagadora maioria dos portugueses celebrará os 50 anos do 25 de Abril.
Digo esmagadora maioria, sim, pois não obstante a recente atenção mediática dada a certas vozes, elas não são maioritárias, da mesma forma que também não são novas. Existem, como sempre existiram, amam o seu 24 de abril como sempre amaram, e hoje andam agradecidas que no contexto democrático se lhes esteja a dar palco e atenção, sentindo que se lhes legitimam as ortodoxias em que sempre viveram.
Digo 50 anos, sim, porque são mesmo 50 anos. Contudo, ao contrário das nossas existências breves, os 50 anos de abril não são a entrada numa meia idade. Não são o entrar, contrariado, meio incrédulo, mas inevitável, no tempo que levará ao ocaso da vida e que chegará nem que seja aos 100 anos, por muito que, disfarçadamente, todos desejem a imortalidade e esperem ainda ir a tempo, quem sabe, de beneficiar dos avanços científicos que prometem prolongar a juventude - porque é na juventude que vemos o espelho da imortalidade que nunca teremos.
Mas, como eu dizia, 50 anos de abril não é uma meia idade.
Não há andropausas nem menopausas nesta idade de abril, porque os valores que nele vivem, esses sim, são intemporais.
Valores da liberdade, da democracia, da solidariedade, do respeito pelas diferenças de uns e de outros, direito a ter direitos. Logo, não são os valores de abril que se desatualizam. O que pode sim acontecer é que se desatualize, por inércia, por ignorância, e por perda de memória, a nossa obrigação moral e cívica de os manter bem presentes nas nossas práticas de cidadania.
Ora, tudo isto me leva à União Europeia e às próximas eleições europeias que se realizam no próximo dia 9 de junho. E passo a explicar: o 25 de abril foi apenas o início de uma longa caminhada para a consolidação democrática do nosso país. O grande passo para essa consolidação foi precisamente a nossa entrada para a UE (então CEE), graças à visão de um grande homem, de um grande patriota que percebeu que na reconciliação de Portugal com a Europa estava a chave para sairmos da triste e solitária ficção em que vivêramos durante décadas e a quem o antigo regime chamava Império.
Esse homem, cidadão do mundo, cosmopolita, socialista e humanista, foi Mário Soares.
Hoje, mesmo os que preferem obliterar a referência ao nome de Mário Soares (por questões ideológicas, partidárias, o que seja), não deixam de reconhecer que a entrada na União Europeia foi decisiva para a democracia e para o futuro de Portugal. E os portugueses em geral comungam desta ideia, confirmada mais uma vez pelo último eurobarómetro publicado ontem, em que 77% dos inquiridos considera que é importante para Portugal ser membro da UE e 90% considera que no atual contexto internacional votar nas eleições europeias é ainda mais importante.
Mas, como é então possível que 62% nem sequer faça ideia de quando se realizam as eleições europeias, e 24% acertam no mês mas não no dia? Como é que este desinteresse pelas eleições europeias se conjuga com tudo o que anteriormente fica dito?
E é aqui que eu quero chegar: aquela que é vista como a grande etapa de consolidação da nossa Democracia, e que merece apreciações tão positivas por parte dos nossos cidadãos, não encontra afinal eco no seu comportamento quando chega a hora de votar nas eleições europeias.
Ora, basta de sermos aquele país onde os cidadãos consideram que a UE é muito importante, que o Parlamento Europeu é muito importante, que a presença de Portugal na
UE é muito importante, que diz ter consciência que grande parte da legislação com impacto no seu quotidiano provem dos co-legisladores europeus, e depois, simplesmente, não vota! Isto não pode acontecer. E não pode acontecer para mais nestas que serão as eleições mais importantes e decisivas sobre o futuro da própria União Europeia.
O que está hoje em causa é a continuidade da União Europeia como projeto democrático. Não há outra forma de o dizer. A Europa das liberdades, do Estado de Direito que prevalece sobre as arbitrariedades judiciais e políticas, a Europa da solidariedade (mesmo se sempre sob ameaça, mas que ainda assim tem sobrevivido) a Europa capaz de responder a crises agindo de forma coletiva (como no caso das respostas à pandemia do COVID 19, das sanções à Rússia e do acolhimento de mais de 6 milhões de refugiados da Ucrânia em 2022); a Europa que queremos seja o ator global que nos dá escala num mundo cada vez mais complexo e conflituoso, tudo isso, caros leitores e caras leitoras, está em causa.
A abstenção de qualquer um dos nossos cidadãos nas próximas eleições europeias não será inócua. Será antes um respaldo adicional aos que, enganados ou convictos, votarão na extrema direita contra a União Europeia. E não se pense que as circunstâncias históricas são hoje tão diferentes que seria impensável um retorno do autoritarismo. Ele sempre existiu. Apenas não tem sido forte o suficiente para derrubar a Democracia. Por isso, está nas nossas mãos garantir que a Democracia na Europa e em Portugal continue a ser mais forte. Esse será o melhor e maior tributo que podemos fazer este ano ao nosso 25 de abril.
Dia 9 de junho vote nas Eleições Europeias, vote pela Europa, pela Democracia, pela Liberdade, pelo Socialismo humanista e progressista que sempre fez avançar a União Europeia (como tão claramente vimos com Jacques Delors); vote por si e pelo futuro de todos.

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