Correio do Minho

Braga, terça-feira

Acertar no nome

Desprezar a Identidade, Comprometer o Futuro

Escreve quem sabe

2013-12-01 às 06h00

Joana Silva

O nome é algo que nos acompanha ao longo da vida. O adágio popular diz que, “gostos são gostos e não se discutem”, no entanto, este provérbio parece não se adequar a quem carrega o fardo de não gostar do próprio nome, sobretudo as crianças. O nome é instituído mesmo por vezes, antes do nascimento, e a escolha do mesmo fundamenta-se na sua significação emocional. Os nomes podem ser a herdados pela família (de uma avó, de um tio, padrinho etc.), ou até podem advir de modas (novelas, clubes de futebol). Alguns nomes são bastante excêntricos, inspiram-se em ídolos musicais, literários, mitologias, elementos da natureza, onde, por vezes, dadas a suas “ etiologia” não é possível a efectuação do registo do mesmo. São proibidos. Quando os pais são questionados pelas crianças acerca do porquê que tem determinado nome , estes podem não conseguir dar uma resposta satisfatória aos filhos que se sentem estigmatizados pelo nome que têm, sendo que até podem advir repercussões na vida adulta. Em outras esferas de socialização como a escola, há alcunhas que derivam dos nomes próprios que os colegas não conseguem pronunciar, desagradando a quem ouve essas mesmas alcunhas. Há quem diga que existem modas até nos próprios nomes. Tem lógica.

Exemplificando, se antigamente, o nome Maria estava instituido no registo do próprio nome fosse rapaz ou rapariga, nos anos subsequentes assistiu-se a uma quebra no registo do mesmo nome. Ora actualmente pode dizer-se que este nome ‘está na moda’ novamente e é frequentemente seguido de um nome ‘tipicamente’ masculino, como por exemplo, Maria Luís. É normal que quando não se goste de um nome haja uma tendência para se suprimir o mesmo. A ‘anulação’ poderá ser de tal forma que quando é utilizado, a criança nem responde a esse apelido. Se porventura a criança tem dois nomes, e os pais e as pessoas em redor utilizarem só um dos nomes, poderá despoletar na criança uma não vinculação ao outro nome e subsequentemente passa a não gostar dele e até a exclui-lo. Também quando os pais repreendem os filhos pelo mau comportamento, há uma tendência para chamar atenção, recorrendo ao nome que não utilizam habitualmente. Por conseguinte, não estando habituada a ser tratada por essa forma poderá desenvolver aversão pois irá associar o nome a algo negativo. Por tudo mencionado anteriormente, os pais devem ter cuidados redobrados na hora de escolher o nome das crianças e se já o instituíram devem explicar às crianças o porquê que tem determinado nome , inclusive contar até a historia associada ao mesmo, o porquê da escolha e a sua significação. Todos estes aspectos podem levar a aceitação do nome por parte da criança. Parece igualmente importante referir que frequentemente as crianças que não se identificam com determinado nome em idades precoces, durante o seu processo de desenvolvimento, nomeadamente na adolescência em que há uma grande influencia das redes de socialização e modelagem da personalidade, poderão considerar esse nome que outrora os desagradava como ‘in ou chique’.

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