Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Acordo de Paris e a saída dos EUA

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Ideias

2017-06-02 às 06h00

Paulo Monteiro

Todos estão com as mãos na cabeça, porque os Estados Unidos anunciaram ontem que vão abandonar o Acordo de Paris.

Não é nada que não se estivesse à espera, mas, verdade seja dita, não é nenhum drama, nem podemos colocar as mãos na cabeça em sinal de desespero se tal acontecer.
E sou realista. Primeiro, porque essa saída só se pode tornar efectiva em 2019 (o Acordo de Paris é claro: o país que pretender sair só poderá fazê-lo ou... melhor, só poderá comunicar a saída três anos depois da ratificação que, como se sabe, aconteceu apenas em Setembro do ano passado). Três anos é muito e até lá muita coisa pode mudar e até Trump deixar a presidência dos EUA.

Aliás, o presidente norte-americano disse ontem que vai 'tentar um acordo mais justo'. Ou seja... ainda muita coisa pode acontecer. E mesmo que os EUA saiam não será nada dramático. Eles já não estiveram no Acordo de Quioto e tudo funcionou na mesma. Agora o Acordo de Paris segue em frente com todos menos os americanos. O certo é que Donald Trump volta a dar um grande tiro nos pés porque quer proteger o que já não tem solução nem progresso... a indústria do carvão.

Enfim, a única gravidade, ou maior gravidade, com a saída dos Estados Unidos tem a ver com o peso político que poderá haver no futuro. Todos sabemos que os norte-americanos têm um peso grande e que, a Europa, apesar de toda a sua força e de ser ainda a maior economia do Mundo (vai deixar de ser quando o Reino Unido deixar a UE), tem pouca expressão. E porquê? Porque é cumpridora na redução das emissões de dióxido de carbono e, por isso, com menos peso nas decisões. Por isso é que tudo pode sobrar para a China, o que é mau... apesar de já dito qualquer coisa como 'palavra dada palavra honrada' e de se ter comprometido reduzir as emissões de CO2.

Mas... esperemos por próximos capítulos. Há mais marés que marinheiros. Estou convencido disso.

Todos sabemos o mal que fazemos ao nosso planeta e Trump sabe disso. Ou, neste particular, pelo menos a filha mais velha e o genro, sabem. E sabem que não é invenção dos chineses. É tempo de ter juízo. Muito juízo!

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