Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Adamastor, por Pedro Mota Rodrigues

Como sonhar um negócio

Conta o Leitor

2010-07-16 às 06h00

Escritor

Era uma vez um Gigante desproporcional,
Nascido do medo sem cordão umbilical,
De mitos popularizado, de sangue, de dor,
Um colosso irado de seu nome Adamastor…

Na fúria imensa tsunamis provocava,
A sua flatulência continentes arrastava,
O seu ronco era um dez na escala de richter,
O tormentoso Gigante que temia um clister.

Numa tarde dúbia perfilou-se o impensável,
Eram dois e vieram com ar pouco afável,
O gigante temeu a postura pouco habitual
E pensou esmaga-los com o seu grito gutural.

- Quão doidos sois para entrares nos meus domínios?
E que novas trazeis nesses vossos desígnios?
- Senhor, é com pesar e um sentir desmedido,
Que lhe comunico que foi despedido…

- Não, não! Como pode ser?
Bradou o gigante com a voz a sofrer.
- Acabas-me com a vida e dizes que lamentas…
Quem melhor do que eu para guardar as tormentas?

- Não sei que lhe diga alma lutadora,
A notícia surpreendeu mas é ordem superiora,
Pelos vistos a crise espalhou qual veneno,
Querem substitui-lo por um Gigante mais pequeno.

As pernas tremeram-lhe e caiu impotente,
As suas lágrimas submergiram meio continente,
- E agora que farei? Alguém me diga por Deus…
Que destino esperam desta criatura de Zeus?

- Para já falemos do que parece mais lógico.
Já tratamos de lhe providenciar apoio psicológico!
E quando a coisa voltar à sua natureza de forma,
Trataremos de lhe arranjar um plano de reforma…

- Bah! Não me conformo, isto é ultrajante!
Porque cai sobre mim este inferno de Dante?
Tratam-me como se possuísse indignidade Zoológica,
Porque trazem esta aberração a uma criatura mitológica?

O Gigante partiu, estremecendo a cada passo,
Galgou mil milhas que pareciam um só pedaço,
Não bastava já ter no coração um sólido,
Agora teria também de visitar um psicólogo…

- Desculpe o meu sofá Gigante Adamastor,
Não tenho nenhum que sirva ao físico do Senhor…
Depois de uma análise profunda aos seus pensamentos,
Penso que o atormentam uma série de recalcamentos…

- Para além de acessos de raiva e esquizofrenia,
Sofre também de ataques de letargia,
Comunga com o narcisismo um diagnóstico inédito,
É que mostra indícios de complexo de Édipo.

- Como pode tal ser? Se eu nem fui parido!
Se eu não tenho mãe o diagnóstico não faz sentido.
O Psicanalista calmo na sua postura natural,
Prescreveu-lhe uns calmantes do tamanho de Portugal.

Fez-se ao caminho grogue dos calmantes,
Percorrendo caminhos em rotas ziguezagueantes,
Convulso e com um vómito problemático,
Vacilou e tombou sob o continente Asiático.

Acordou abruptamente, rodeado por curiosos,
Alguns entre os minúsculos aproximaram-se cautelosos,
Jamais haviam visto tamanha monstruosidade,
O colosso indigníssimo esmagara-lhes a cidade.

- Sou Adamastor o terror dos mares e do Cabo,
Destruí mais naus do que vós haveis respirado,
Ao meu nome tremem, sou ex-líbris entre os maus,
Actualmente no entanto sou só um monte de calhaus…

Os olhos em bico, comovidos por tal dor,
Arranjaram no circo trabalho para Adamastor,
Tal colosso, rígido e portento
Perfilava-se indicado para transporte do acampamento.

De Siderador Camoniano, a vassalo das mil tralhas,
O roteiro caótico de um destino sem malhas,
Mas quis o acaso, caprichoso e sortido,
Que ao valente Pedregoso mordesse o Cupido…

Era Belíssima e muitos metros de gente!
Aquela Birmanesa que não tinha nenhum dente,
Roliça de figura, uma cabeleira incerta,
E debaixo dos sovacos uma horta completa…

- Que visão esta? Que deleite ocular!
Que posso fazer para te levar a jantar?
Ironia esta deste eterno guardião,
Que encontrou finalmente quem lhe roubou o coração.

- Não me incomode Adamastor indigno…
Sei sua fama junto ao sexo feminino!
Corte nas tretas e nessas tontices,
Não sou uma mulher que permita gabarolices!

O seu amor partiu com um desafiar de altividade,
Adamastor sofredor irritou-se de verdade.
As vibrações da sua ira percorreram muitas milhas,
Explodiu e transformou-se em centenas de pequenas ilhas.

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