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Ainda e sempre o insidioso vírus…

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Ainda e sempre o insidioso vírus…

Voz às Escolas

2020-11-16 às 06h00

João Andrade João Andrade

Desde março do ano passado que, por muito queiramos, se tornou impossível não abordar nestas crónicas, de forma mais ou menos direta, a atual Pandemia e suas implicações. Não só porque a mesma afeta constante e significativamente todas a nossa atividades, incluindo a educativa, mas também porque acaba por tornar, no sentir de todos nós, a demais realidade como quase irrelevante, o que inúmeras vezes constitui um significativo um erro.
Centrando-nos na escola, o impacto no processo educativo ocorre e ocorreu em dimensões várias: na planificação das atividades educativas, condicionada pelas limitações ao trabalho em grupo, da interação com o professor e, ainda, das interações com elementos e espaços exteriores ao grupo/turma; na construção dos horários dos alunos, fortemente condicionados pelas limitações do uso dos espaços nas escolas e da necessidade de desinfeção dos mesmos após cada grupo distinto; capacidade de prestar a devida atenção às demais dimensões do processo educativo, condicionada pelo assoberbar dos elementos de coordenação e direção das escolas com as dinâmicas da gestão diária da pandemia; na intermitente, mas constante, ausência de alunos e professores devido a isolamento profilático; também na constante transição de turmas de e para o E@D; na dificuldade do Sistema de Saúde em dar resposta burocrática atempada às inúmeras situações de isolamento profilático; e na gestão da dimensão afetiva, do medo de uns, que os tolhe, e da irresponsabilidade de outros, que coloca todos em significativo risco.

Centrando-nos neste último fator, do comportamento negligente de alguns, que demoraram e demoram a perceber a gravidade da atual situação, pensamos que o poder central terá que assumir significativas responsabilidades nessa realidade. Pensamos que o país perdeu duas a três semanas fundamentais, as do início do mês de setembro, por exclusiva responsabilidade da tutela. Na ânsia de garantir uma normalidade social, de suporte ao sistema económico e, atrevemo-nos a dizer, numa vontade – às vez aparentemente obsessiva - de garantir que a reabertura das escolas ocorria sem sobressalto social e inquietação dos pais, nas primeiras semanas de setembro, críticas porque as pessoas retornavam às redes de trabalho após forte interação desprotegida nas redes familiares e de amigos, o poder central adotou um discurso leve e de menorização dos riscos diários da Pandemia.

Isto fez com que inúmeras pessoas, em particular os mais jovens, não relevassem os riscos da pandemia e adotassem comportamentos de risco. Nas escolas e particularmente entre os alunos mais velhos, assistiu-se, recorrentemente, à incongruência do uso, pelos alunos, da máscara de forma permanente dentro da escola, para, imediatamente transpostos os portões, retirarem a mesma e conviverem longa e proximamente nos grupos de amigos, no caminho para casa, nos cafés e em diversas festas e convívios particulares. Podemos censurar muito os jovens? Não é fácil… O discurso da tutela era, como referido, de tudo menos o de assumir o crítico da situação e também inúmeros atores nas redes sociais, faziam - e fazem - um discurso de menorização dos riscos da pandemia e contra as medidas restritivas que a mesma obriga. Tudo ia, então, ao encontro do instinto primeiro de qualquer jovem de 16, 17 ou 18 anos, de procurar constantemente livre convívio e a interação com os pares.

Em 9 de março escrevíamos aqui que era obrigação de todos executar tudo ao nosso alcance para mitigar a propagação da Pandemia. Quer para impedir a rotura do sistema de saúde e salvaguardar os seus meritórios profissionais, fazendo com que os doentes COVID-19 e os com demais doenças críticas pudessem ter o tratamento que mereciam, quer para proteção dos mais velhos e frágeis de entre nós, principais vítimas, tantas vezes mortais, deste insidioso vírus. Essa obrigação é agora muito maior, seja porque sabemos mais sobre a doença e seu controlo, seja porque temos muitos mais equipamentos de proteção individual, incluindo máscaras. Assim, estamos perante todas as condições para limitar a propagação da doença, permitindo também, se cada um de nós executar cada pequeno ato com superior responsabilidade, manter a economia e a sociedade capazes e funcionais. Mas tal sucesso só acontecerá através da entrega responsável de TODOS, sem exceção. O tristemente irónico, muitas vezes, é que são aqueles que criticam e menorizam as medidas primeiras de controlo da pandemia, alegando que colocam em risco economia e a liberdade, que, ao induzirem o não cumprimento das regras mais básicas, como o uso permanente e correto das máscara facial, colocam em risco o controlo da pandemia, obrigando, então, a medidas suplementares, essas sim que poderão colocar em risco a economia e a liberdade.

Terminamos esta crónica como terminámos a nossa primeira sobre a atual Pandemia: cada vez mais, continua a ser “uma obrigação, não só moral, civilizacional, mas também de inteligência e de pertença, de cada um nós, de executar serena e ponderadamente todos os procedimentos ao nosso alcance para mitigar a dimensão e velocidade de propagação do presente surto.”

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