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Ainda, e sempre, os refugiados!

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Ainda, e sempre, os refugiados!

Ideias Políticas

2020-01-14 às 06h00

Pedro Sousa Pedro Sousa

Nos últimos anos, o flagelo de centenas de milhares de refugiados, de centenas de milhares de histórias de vida despedaçadas por inúmeros conflitos nacionais e transnacionais, de milhares e milhares de crianças órfãs em campos de refugiados, não esquecendo as muitas que, tragicamente, não chegaram a completar a travessia, marcou de forma quase diária o debate político europeu.
Na verdade, a ideia de uma Europa assolada, invadida por ondas incontroláveis de imigração foi, repetidamente, usada pelas forças populistas como argumento anti-europeu, destacando, por exemplo, as inúmeras campanhas dos defensores do Brexit, no Reino Unido, da Liga Norte, de Matteo Salvini, na Itália ou os governos ultraconservadores da Hungria e Polónia.

Felizmente, e longe disse significar que o flagelo dos refugiados e a questão dos movimentos migratórios estão resolvidos, os dados mais recentes publicados pela Frontex - European Border and Coast Guard Agency - descrevem, hoje, uma realidade bem diferente que contradiz, de forma enérgica, a retórica da invasão, destacando os dados da agência europeia de fronteiras, que o número de refugiados a tentar entrar em território europeu caiu cerca 92% em comparação como o pico registado em 2015.
Mas recentremos a questão no populismo dos partidos e movimentos anti-europeístas. Pois, a este respeito, importa muito claramente dizer que as controvérsias em torno da distribuição de migrantes ilegais, de refugiados resgatados por ONGs em áreas costeiras da União Europeia nos últimos verões têm sido um instrumento útil para a estratégia desses mesmos partidos e movimentos, a fim de, artificialmente, manterem viva, manterem à tona a sensação de um fluxo crescente de deslocados a procurar entrar na Europa. Mas as estatísticas da Frontex são inatacáveis: em 2019, 139.000 migrantes chegaram à UE, um declínio muito acentuado, brutal, mesmo, se comparado com o 1,8 milhão de pessoas que entraram na Europa em 2015, em plena onda de migração devido à guerra na Síria.

Hoje, este cenário, traz um risco novo, diferente, que é necessário acautelar e combater. E o risco reside em, por deixarmos de estar perante uma situação de crise, de ruptura, a UE, como noutras situações, deixar de colocar o mesmo empenho, a mesma força para a resolução desta problemática. Assim, é urgente garantir que a União Europeia, habituada a responder de forma mais eficaz sob a pressão das crises, não relaxará no seu esforço de encontrar um sistema estável para o acolhimento de refugiados, falhada que foi a tentativa de adoptar o modelo de quotas.
Sendo, indiscutivelmente, a questão dos fluxos migratórios e dos refugiados uma das mais centrais questões do nosso tempo e uma verdadeira chaga social, manter a União Europeia muito atenta e vigilante, com recursos, com respostas claras a esta problemática e com instrumentos e ferramentas de intervenção assentes, sempre, numa abordagem humanista da vida e do mundo dirá muito da UE que somos e, sobretudo, da UE que queremos ser.

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