Correio do Minho

Braga,

Algo vai mal no reino da Dinamarca

Como sonhar um negócio

Ideias Políticas

2018-03-20 às 06h00

Pedro Sousa

Algo vai mal no reino da Dinamarca e Ser ou não ser, eis a questão são duas expressões idiomáticas que Hamlet, a obra prima de Shakespeare, tornou bem conhecidas no contexto da cultura e da língua portuguesa.
Hoje, e após ter recentemente voltado ao livro que, há muitos anos, li pela primeira vez, recordo ambas a respeito de Braga, do nosso concelho, da nossa cidade, da nossa terra.
Os últimos anos de Braga não tem sido famosos. A governação municipal respira e vive num permanente afã mediático, demasiado cosmético, perdendo, não raras vezes, a noção daquilo que realmente importa, de quais devem ser as suas prioridades e das responsabilidades de serviço público que tem para com Braga e os Bracarenses.

Qualquer cidadão deseja que a sua Câmara Municipal, o seu Governo local, tenha uma visão estruturada e abrangente tanto para o desenvolvimento do território, como para o desenvolvimento da comunidade.
Isto passa, entre muitas outras coisas, pela capacidade de captar investimento, pelo reforço das qualificações e competências dos cidadãos que, ao mesmo tempo, importa envolver cada vez mais no debate, na construção da cidade e no aprofundamento da democracia, por uma crescente preocupação com a sustentabilidade, a eco-eficiência e a coesão territorial, pela visão para fixar e captar pessoas, pelo imperativo de ter serviços municipais que respondam de forma rápida, transparente e eficaz às suas necessidades e problemas e, também, pela preocupação de pensar e desenvolver o Concelho tendo, sempre, como preocupação a igualdade de oportunidades para todos.
Se em algumas destas áreas (e noutras que aqui não abordo), Braga continua a ser uma referência, há um conjunto de áreas/situações que merecem reflexão cuidada e aprofundada, conquanto confirmam uma visão acabrunhada e errática para o futuro do Concelho.

Ao nível da mobilidade, uma área chave para um Concelho moderno, sustentável e competitivo, a única coisa que me recordo de ver materializada foi um fantástico suplemento de 8 páginas no Jornal Correio do Minho, onde o Sr. Presidente da Câmara anunciou um sem fim de intenções não concretizadas, uma visão mirífica para os transportes e para a mobilidade. Visão esta que, infelizmente, é diariamente esmagada pela realidade de uma cidade que apenas tem assistido ao definhamento do seu sistema colectivo de transportes, ao mesmo tempo que vê acumularem-se os problemas de trânsito em várias áreas nevrálgicas da cidade, como não havia memória de acontecer.
Também ao nível da fixação de pessoas, um dos factores que nos últimos 50 anos mais contribuiu para o crescimento e desenvolvimento de Braga, não tem a Câmara Municipal um plano, uma estratégia. A explosão, nos tempos recentes, dos preços da habitação, não acompanhada por um ambicioso plano de reabilitação do centro histórico com disponibilização de habitação a custos controlados para jovens, poderá, se nada for feito, ter consequências nefastas.

A confrangedora incapacidade (por culpa da falta de liderança política e de uma errada gestão de recursos e de organização interna da Câmara Municipal) de resposta de muitos dos serviços municipais em resolver em tempo razoável os problemas com que, diariamente, muitos cidadãos e empresas se deparam, demorando, em alguns casos, meses ou mesmo anos a obter uma resposta, deixam a nu a incapacidade do actual executivo para governar a Câmara Municipal.
Podia referir muitas outras coisas, muitos outros retrocessos que os últimos anos trouxeram à cidade, como o recente regresso dos contentores indiferenciados de recolha do lixo que, infelizmente, estão a voltar a muitas freguesias, mas hoje fico-me por aqui.
Algo vai, de facto, mal no reino da Dinamarca e, a bem da cidade e dos bracarenses, é urgente alterar o actual estado de um conjunto de coisas. A questão, tal como dizia Shakespeare, tem que ver com Ser ou não ser... e com o facto de que a uma cidade com tanta história e com tanto património como Braga é, não lhe pode, como tem acontecido nos últimos anos, bastar parecer.

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