Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Alimentação saudável

A Europa paga aos agricultores para não produzirem?

Escreve quem sabe

2011-09-24 às 06h00

Fernando Viana

Um dos problemas que afectam a nossa sociedade tem a ver com os maus hábitos alimentares, quer nos adultos, fruto de uma vida stressante que obriga a uma alimentação rápida e pouco regrada, mas sobretudo nas crianças, seja por falta de supervisão, seja pelo forte apelo que a publicidade introduz.

A este propósito, a Consumers International (CI) lançou no passado dia 12 de Setembro um manual destinado às autoridades governamentais e a organizações da sociedade civil que pretendam obter evidências sobre a comercialização de alimentos pouco saudáveis para as crianças.

Parece não restarem grandes dúvidas que a indústria alimentar investe valores muito elevados na promoção de produtos de elevado teor em gordura, açúcar ou sal. A CI espera que os dados que se possam obter neste manual constituam uma referência útil para as políticas governamentais no âmbito da saúde pública.

O manual expõe um conjunto de exemplos sobre a comunicação publicitária de grandes empresas da indústria alimentar que procuram demonstrar que essa alimentação à base de produtos com excesso de gordura ou sal induz um maior rendimento escolar ou traz benefícios de diferente ordem.

O manual é recomendado aos profissionais de saúde, incluindo os promotores, às organizações de consumidores de todo o mundo, e foi simbolicamente lançado a público quando se prepara a Cimeira das Nações Unidas sobre doenças não transmissíveis que se vai realizar em Nova Iorque em 19 e 20 de Setembro. Esta cimeira porá o seu acento tónico na necessidade de se estabelecer uma acção concertada para fazer frente aos níveis alarmantes de obesidade à escala mundial e o impacto que este fenómeno tem sobre as taxas de doenças graves, tais como cardiopatias e a diabetes.

Calcula-se que a nível mundial há cerca de 170 milhões de crianças com excesso de peso ou obesidade, fenómeno que igualmente atormenta cerca de 43 milhões de crianças em idade pré-escolar. O manual está dirigido especificamente às autoridades sanitárias, associações de consumidores e outras organizações da sociedade civil nos países desenvolvidos e em vias de desenvolvimento, pode ser encarado como uma ferramenta para denunciar os erros alimentares decorrentes da ingestão de comida indesejável.

Como é sabido, estas preocupações são igualmente válidas em Portugal, em que sabemos hoje que a nossa dieta mediterrânica, que fomos desenvolvendo ao longo de muitos anos, constitui uma boa referência em termos de práticas alimentares, mas que corremos o risco sério de perder. De facto, temos consciência que muitas crianças não hesitarão na hora de optar entre um bom prato de sopa e uma pizza, ou entre um hambúrguer e um posta de peixe assado no forno.

A publicação é uma resposta prática às recentes recomendações da Organização Mundial da Saúde sobre a comercialização de alimentos e bebidas não alcoólicas orientadas para uma população infantil. Estas recomendações foram aprovadas pelos ministros de saúde e convidam todos os países a “desenvolver, aplicar e fiscalizar políticas destinadas a proteger as crianças dos impactos da comercialização de alimentos pouco saudáveis.

O manual oferece aconselhamento quanto ao modo como se podem estabelecer definições padronizadas de comercialização para as crianças, incluindo a categorização de alimentos e bebidas “pouco saudáveis”, assim como o modo de analisar e interpretar os dados. Pormenoriza as técnicas de marketing de modo a que os investigadores possam identificar essas técnicas subtis e por vezes dissimuladas.

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