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Amazónia em perigo!

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Amazónia em perigo!

Ideias

2019-09-07 às 06h00

Vasco Teixeira Vasco Teixeira

Amazónia é a maior floresta tropical e maior reserva de biodiversidade do nosso planeta. A Amazónia representa mais de metade das florestas tropicais remanescentes no planeta. A Amazónia abrange 12 reservas de biosfera identificadas pela UNESCO (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), que incluem seis milhões de hectares de floresta, sendo que apenas 1% da superfície total está inscrita como património mundial. A floresta da Amazónia tem mais de 2 mil espécies de aves e mamíferos, mais de 2 milhões de espécies de insetos e mais de 16 mil espécies de plantas. Tem uma área com cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa.

A Amazónia sempre foi alvo de muitas queimadas ligadas à exploração de terrenos para atividades agro-pecuárias. O futuro da Amazónia tem vindo a ser ameaçado por diversas atividades humanas, como o corte de árvores para extração de madeira, a mineração e a conversão da floresta em pastagens e áreas de agricultura. Estas atividades não têm sido objeto de normas bem definidas, tendo havido nos últimos anos um enorme descontrolo, inclusivamente atividades ilegais de desflorestação (desmatamento) e queimadas para obtenção de áreas para pastagens de gado. O Brasil também é um dos maiores produtores mundiais de soja depois dos Estados Unidos. As necessidades dos agricultores de soja têm sido usadas para validar muitos dos projetos de transporte controversos que estão atualmente em desenvolvimento na Amazónia. Os dois primeiros acessos rodoviários com sucesso abriram a floresta tropical e levaram ao aumento do desmatamento.

O desenvolvimento económico, em muitos casos, tem vindo a ser sobreposto a outras preocupações, como o meio ambiente. É possível ter crescimento económico sustentável e faltam são políticas e medidas relativamente a exploração sustentável e conservação da Amazónia.
Apesar dos esforços que têm sido feitos para a conservação da floresta Amazónica, a perda anual da cobertura florestal tem permanecido em níveis alarmantes. Cerca de 80% da floresta amazónica original permanece praticamente intacta e é urgente que não se continue a avançar com atividades inimigas da conservação da biodiversidade e do habitat. É crucial manter estas enormes áreas como prioritárias para a conservação da floresta da Amazónia – um património mundial.

Alguns programas e iniciativas de governos Brasileiros, tanto a nível federal quanto estaduais, visam um desenvolvimento constante e, muitas das vezes, acabam por incentivar, direta ou indiretamente, o desmatamento em favor da exploração pecuária, da produção de soja e da exploração de recursos minerais.
O mecanismo hidrológico da Amazónia desempenha um papel primordial na manutenção do clima mundial e regional. Um ambiente mais quente e mais seco para a Amazónia é o prognóstico de estudos de modelos computacionais que se debruçam sobre os efeitos das mudanças climáticas.

O desmatamento da Amazónia, além de retirar a cobertura florestal, provoca uma alteração radical nos padrões de pluviosidade e na distribuição das chuvas. Os modelos sugerem que, até o ano 2050, as temperaturas na Amazónia aumentarão em 2º C a 3°C. Ao mesmo tempo, a diminuição das chuvas nos meses de seca provocará a ampliação da seca. Historicamente, durante a estação de menor pluviosidade, tipicamente compreendida entre julho e setembro, grande quantidade de focos de incêndios são detetados pelos satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Segundo dados do INPE, o número de focos de incêndio florestal aumentou 83% entre janeiro e agosto de 2019 na comparação com o mesmo período de 2018. Dados recentes mostram que de janeiro a agosto, choveu 11% a mais e ocorreram 34% mais focos de queimadas na Amazónia do que a média desde 2016. Mais de um milhão de indígenas estão em perigo por causa dos incêndios no Brasil.

A UNESCO pretende reforçar as ferramentas (por exemplo, a Convenção do Património Mundial ou a rede de zonas de biosfera da UNESCO) para proteger bens comuns como a Amazónia, que são partilhados por todo a humanidade. Os desafios ambientais e das alterações climáticas podem justificar intervenção em zonas onde um determinado país e as suas políticas ambientais detêm soberania? São questões que têm sido debatidas e que já provocaram muitas polémicas e conflitos diplomáticos. Novos conflitos se preveem ao debater a limitação das soberanias nacionais em questões ambientais. A ONU deverá poderá intervir na proteção da Amazónia.
Foi o alarme da comunidade mundial que fez com que o governo brasileiro tomasse algumas medidas, desde logo o combate, por militares, a alguns dos incêndios e a proibição de queimadas nos próximos meses. Esta crise está a afetar negativamente a popularidade do presidente e do governo barsileiro. Bolsonaro afirma que está determinado em levantar a questão da Amazónia na próxima assembleia-geral da ONU que terá lugar em Nova Iorque entre 17 e 30 de setembro.

O estado Brasileiro anunciou, entretanto, a disponibilização uma verba de cerca de 230 milhões de euros (provenientes do Fundo Lava Jato para combate a corrupção) a ser direcionado para ações de prevenção, fiscalização e combate à desflorestação, incêndios e outros ilícitos ambientais nos estados que compõem a chamada Amazónia Legal, inclusive na faixa de fronteira.

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