Correio do Minho

Braga, quinta-feira

Amor doentio - Stalking

‘O que a Europa faz por si’

Escreve quem sabe

2014-02-09 às 06h00

Joana Silva

Dia de S. Valentim é conhecido como a data do amor. Todavia, nem tudo se pinta da cor da paixão. Existe um ditado popular que diz ‘quem tem amores tem dores’, sobretudo quando são extravasados os limites desse mesmo amor (ciúme patológico, obsessão etc.). Emergiu um novo fenómeno de violência em Portugal, o Stalking.

Consiste num conjunto de comportamentos de conduta intencionados por parte do ofensor (Stalker), não desejados pela vítima. Clarificando, pressuponha que alguém lhe telefona várias vezes, além dos emails recebidos, também recebe inúmeras sms ao longo do dia, ‘com quem estás? Não sei viver sem ti’. Está com a rádio sintonizada e eis que ouve a mesma pessoa a dedica-lhe uma música.

Após o dia de trabalho, vai às compras e no mesmo local encontra a pessoa em questão. Dirige-se para casa e verifica que foi seguida. Constata nos dias subsequentes a mesma situação. Está diante de um ofensor (stalker). Esta experiência é entendida pela vitima como intimidadora, incómoda e intrusiva. Um ofensor, tende a não aceitar o término de uma relação de proximidade com a vitima. Frequentemente, o ofensor ‘vê além da realidade’, isto é, pode confundir amizade e apoio com a idealização de um sentimento amoroso da outra pessoa face a si.

Este tipo de ofensor tem por norma características pobres de relacionamento interpessoal, é bastante persistente com tendência para comportamentos violentos. No que concerne aos comportamentos de perseguição, estes tem como finalidade a recolha informação acerca da vítima. Importa referir que o stalking, não escolhe de facto, sexo (apesar na sua maioria as vitimas serem mulheres) faixa etária, classe social entre outros aspectos.

Os especialistas indicam que na maioria dos casos o ofensor é conhecido pela vitima, ou seja, poderá ser um ex companheiro (a), ex namorado (a), amigo (a), colega, desconhecido (a) e até mesmo um familiar. A dor emocional sentida pela situação é tão forte que é comum as vitimas culpabilizaram-se pela relação outrora mantida com o ofensor. De realçar que, também existem ‘falsas vitimas’ onde se verifica uma troca de papeis em que o ofensor acusa a vitima de o importunar. São inúmeras as consequências físicas e psicológicas, para a vítima.

A sintomatologia física pode ser de ordem diversa, desde problemas digestivo s, alterações de apetite (falta de apetite ou compulsão), dores de cabeça, exaustão física. No que respeita, à sintomatologia psicológica a vítima sente pânico, torna-se desconfiada, hípervigilante (atenta a tudo),sofre porque não tem controlo face à situação e poderá refugiar-se na medicação, a fim, de aliviar essa tensão emocional.

Também a esfera social ressente-se, alteram-se hábitos e rotinas diárias, há evitamento social (limitação/diminuição dos contactos sociais), mudança de residência ou emprego. De referir que, as alterações na esfera social atrás descritas usualmente não são suficientes, pelo contrário, tendem a acentuar mais as dificuldades. O ofensor continuará a ‘perseguir’ e terá novos encargos com a mudança de residência e certamente dificuldades em encontrar novo emprego.

O stalking traduz-se num risco verdadeiro, e em alguns casos o ‘fecho’ dos mesmos poderão culminar na morte. Posto isto, menosprezar sinais, negar ou minorar (galantear - pensamento de que é normal certos tipos de aproximação) não são de facto boas atitudes para colocar fim ao stalking, mas sim denunciar junto das entidades competentes.

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