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Análise das eleições

Regionalização e representação territorial

Análise das eleições

Ideias

2019-10-18 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

De uma leitura superficial das eleições pode concluir-se que o PS ganhou as eleições, superando os resultados de 2015, mas não com maioria absoluta. Em todo o caso, com um número de votos e de deputados superior à soma da Direita, com necessidade de um apoio apenas pontual do Bloco e (ou) do PCP. O governo pode tornar-se mais instável, sobretudo se a situação económica internacional se degradar, como tudo indica. O PSD perdeu as eleições e as declarações patéticas de Rui Rio na noite eleitoral mostra que é politicamente ignorante. Mas, há pior, como o até agora opositor, Luís Montenegro, cujas propostas não têm qualquer conteúdo. O CDS desapareceu na enxurrada política eleitoral. Os pequenos partidos de direita (Aliança, Iniciativa Liberal e Chega) roubaram-lhe parte do eleitorado. O que ficou atropela o PSD, mas este é mais robusto porque inserido no tecido social português. O PCP continua o seu caminho de definhamento, já anunciado nas últimas eleições autárquicas; também o seu peso na área sindical vem sendo ameaçado pelos novos sindicatos piratas, os quais fogem ao controle das centrais sindicais. O BE conseguiu aguentar-se, apesar da perda de votos. Finalmente, o PAN aumentou a sua representação parlamentar.
A noite eleitoral caraterizou-se pelo discurso patético de Rui Rio; pela disponibilidade de António Costa para construir uma nova “geringonça”, rejeitada de imediato pelo PCP e, depois de horas de negociações, afastada pelo BE que terá exigida demasiado para integrar uma nova aliança com o PS. Mas a noite eleitoral só ficaria completa com uma nota à imprensa de Cavaco Silva. É triste!... O homem está morto, mas ninguém lhe quer dizer.
Há, porém questões que importa aprofundar. E a primeira prende-se com a conclusão de muitos analistas que vêm nos resultados eleitorais a desestruturação do sistema eleitoral, sobretudo à direita. O CDS entrou em um processo de morte lenta, tendo as suas franjas optado por pequenos partidos à sua direita, os quais obtiveram representação parlamentar (Iniciativa Liberal e Chega). Quanto ao PSD, trata-se de um partido agregador de várias tendências (social-democracia, personalismo, social cristã e liberal). Mas a sua história é feita de fraturas e tem sobrevivido muito bem porque se trata de um partido conservador muito e entrosado no meio rural e numa certa burguesia urbana.
A segunda questão diz respeito ao Chega. Será que veio para ficar, ou é meramente episódico, fruto do benfiquismo televisivo do seu líder, André Ventura? Quem, porém, examinar o mapa eleitoral, verifica que a sua votação foi maior no Alentejo, junto à fronteira, talvez por influência da televisão espanhola e propaganda do VOX. De qualquer modo, o populismo, nacionalismo e extrema-direita alastram na Europa. E este partido vai ser o porta voz desta tendência.
Finalmente, o PAN que começou por ser o partido dos animais, mas que alargou a sua área de interesse aos problemas do ambiente. Se for devidamente estruturado, pode tornar-se um caso eleitoral sério e ameaçar a hegemonia dos partidos tradicionais.

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