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Ano Novo…. E a coragem de ter esperança!

A avestruz risonha que tocava Strauss

Ano Novo…. E a coragem de ter esperança!

Voz às Escolas

2019-01-02 às 06h00

Flora Monteiro Flora Monteiro

AUNESCO, no final do século XX aponta a necessidade duma educação ao longo da vida alicerçada em quatro pilares: “aprender a conhecer, aprender a fazer, aprender a viver juntos e aprender a ser” (Delors, 2003: 88).
Naturalmente que toda a comunidade educativa sabe que tem a responsabilidade ética de contribuir, de ajudar a criar condições para que os jovens consigam caminhar em direção a estes objetivos. A escola tem de abraçar estes desafios para poder contribuir para o desvendar do tesouro escondido em cada um dos seus atores, para ser ela própria uma escola aprendente. E é isso que somos, há muitos anos!
Como continuar a responder a estas solicitações?
“A resposta ao como?… é Sim!”
(Peter Block, 2002).
A dificuldade de se ser líder numa organização com todas estas especificidades, onde não há produtos, mas processos, não há matéria-prima, mas crianças e jovens, não há clientes, mas alunos/pessoas, não há funcionários, mas educadores e professores, é que cada decisão que se toma, transforma-se num dilema ético porque as suas consequências alcançam a vida inteira de cada um destes alunos e a vida diária de cada docente, assistente ou pai e encarregado de educação. E tudo gira à volta da pessoa e dos vetores mais humanos do nosso viver.
Por tudo isto, é uma organização onde o SIM é mais doloroso, mas simultaneamente mais gratificante. Mas a dificuldade deste “Sim” é o desânimo que se está a instalar em muitas das nossa escolas, onde tantos direitos foram quartados, tanta motivação foi arrefecida, tanto empenho não foi reconhecido, tanta democracia foi ofendida, tanto trabalho foi banalizado, tanta cooperação foi desacreditada, tanta sabedoria foi burocratizada. Em muitos dos dias olhamos à volta e deparamos com algumas expressões cansadas, insatisfeitas, desanimadas e até…exaustas!
J. Duart apresenta-nos a escola como uma organização com três dimensões: dimensão pessoal, dimensão relacional e dimensão estrutural. Entre estas dimensões há interseções que são as dimensões éticas da escola. Assim, temos na ligação entre a dimensão pessoal e a dimensão relacional, o respeito; entre a dimensão pessoal e a estrutural, a coerência e, entre a relacional e a estrutural, temos a adaptação. No centro e fazendo uma ligação entre todas as dimensões da escola, temos a aprendizagem. (1999: 57). São estas relações que dão origem à construção ética da organização. São estas que temos de fazer cumprir, como um desejo de Ano Novo.
Mas são necessários incentivos. É necessário respeito por uma das profissões mais dignas e fundamentais da sociedade, daqueles que, em primeiro lugar devem educar e partilhar conhecimentos, muito mais do serem criadores de grelhas e evidências para apresentar sistematicamente. No entanto, a ordem está imposta, os caminhos estão apontados (e alguns estão muito bem definidos e são muito coerentes e assertivos)...
Embora, nem sempre com o devido tempo, com a reflexão necessária, e com a conquista do envolvimento autónomo e espontâneo de todos. Sei que as revoluções não se fazem por decretos, mas acredito nos nossos profissionais do AEAmares.
Uma escola só poderá ser sentida e vivida como comunidade educativa se, de forma coletiva: pensar, estudar, diagnosticar, organizar, trabalhar e decidir para um bem comum, porque a finalidade última do conhecimento não pode ser o saber pelo saber, mas sim a transformação das pessoas em função de valores e conhecimentos que enriqueçam, qualifiquem e dignifiquem.
É isto que somos! Esta é ainda a identidade do AEamares.
Sinto que podemos e devemos ter a coragem de ter esperança. Vamos conseguir cumprir as nossas metas e objetivos, vamos poder ler essas conquistas no crescimento dos alunos e no reconhecimento efetivo da comunidade educativa. Vamos conseguir cumprir a nossa missão, vamos saber tecer essa teia apresentada por Duart.
Vamos ter a coragem de ter esperança… “ELES”, os nossos alunos e as pessoas que queremos que sejam, valem este renovar de votos de Ano Novo. Utopia?
Lirismo?
Não! A capacidade de acreditar, de saber ter esperança… Porque assim Somos!
Receitas?! Encontraremos, nessa capacidade que temos de nos entregar, de nos empenhar, de nos interajudar, de sabermos fazer, no AEAmares!
Um Feliz 2019 a todos…
Um 2019 especial para a comunidade do AEAmares.

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