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Braga, quarta-feira

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Ano Novo…Vida Nova

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Escolas

2015-01-15 às 06h00

Luisa Rodrigues Luisa Rodrigues

Pode não ser verdade, mas é a expressão mais utilizada na entrada de um novo ano por todos aqueles que aspiram alcançar melhores resultados, aos mais diversos níveis, lutando para esquecer as lembranças menos boas de um ano que foi, efetivamente, negro para os profissionais de educação, e ousando sonhar que 2015 seja um ano de mudanças.
A capacidade de se reinventarem e reajustarem, até mesmo nas situações mais adversas, é uma das muitas qualidades dos professores, não obstante os tombos dados em 2014 terem deixado marcas difíceis de apagar, até porque as consequências dos erros cometidos se farão sentir até ao final do ano letivo, ou seja, durante três quartos do ano que agora se inicia.
A capacidade de acreditar que ainda subsiste, renova a vontade de aguentar, confiantes de que já a partir do mês de fevereiro poderemos assistir aos primeiros ensaios indicativos do rumo das decisões políticas quanto às linhas orientadoras para o novo ano, ano em que todos desejamos que seja reposta a dignidade das condições em que trabalhamos e que nos seja permitido redirecionar para a sala de aula e para o sucesso escolar todo o nosso esforço.
As mudanças espectáveis relativamente às medidas que definirão o modus operandi do novo ano letivo devem ser articuladas e coerentes, tendo presente que um dos maiores constrangimentos com que nos deparamos, de há alguns anos a esta parte, assenta, precisamente, na ausência de linhas orientadoras, devidamente articuladas, que minimizem os efeitos da massificação do ensino e do desfasamento do currículo numa escola que, diariamente, se confronta com os problemas decorrentes da heterogeneidade dos alunos e dos seus interesses, terreno favorável à emergência de situações de conflito, com indiscutíveis reflexos nas aprendizagens.
A escolaridade básica de 12 anos é sequencial, no entanto, a sequencialidade não se materializa nos normativos que emanam da tutela, a começar pelos conteúdos programáticos, sintomático da falta de visão estratégica instalada nos grupos de decisão, o que coloca em questão os objetivos de uma política educativa que, por falta de coerência e oportunidade na implementação, está a colocar em risco o futuro de um país que pode ser economicamente pobre mas que bem poderia agitar a bandeira de estar entre os mais ricos a nível cultural e académico.
Quando os erros se corrigem com medidas avulso somam-se erros, o que pode ser politicamente mais confortável, dada a vulnerabilidade dos cargos políticos, mas adia um problema que urge resolver, a bem da educação e do papel preponderante que se lhe reconhece. Reconheço que, num primeiro impacto, a decisão de revolucionar o sistema educativo possa não ser muito confortável para quem decide, mas a médio prazo seria entendido como um ato heroico, com repercussões louváveis por todos quantos defendem que a educação é a base das sociedades.
As mudanças que todos esperamos, e com que ainda não deixamos de sonhar, embora no meio da neblina, passam, forçosamente, por enfrentar o problema, sem olhar a meios, definir uma estratégia a longo prazo e dar o primeiro passo no sentido de uma verdadeira reorganização curricular.
Só assim poderemos salvar o que ainda resta da escola, uma organização que sempre primou pela diferença e pelo rigor com que os seus profissionais assumiam a missão de ensinar e aprender.
Iniciámos um novo ano e com ele renasce a esperança de que se faça luz e de que alguém faça o que tem que ser feito, mas temos consciência de que se os primeiros passos não mostrarem, claramente, o propósito de inverter o rumo que temos sido forçados a seguir, então 2015 será uma réplica das tempestades que temos vindo a enfrentar, só que desta vez instalar-se-á o descrédito total e, com ele, o desânimo, o que terá repercussões sérias no futuro da educação.
Sinceramente, ainda acredito que 2015 seja o ano do início da mudança que tanto desejamos e que a sabedoria dos mais velhos se aplicará à educação, pelo que, sendo novo o ano também o será a vida.

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