Correio do Minho

Braga,

Ao meu Professor... outra vez!

Amigos não são amiguinhos

Ideias

2015-10-06 às 06h00

Cristina Palhares

Olá Professor, ontem foi o seu dia: 5 de Outubro, dia mundial do Professor. Eu soube que ele se celebra porque a ONU, em 1994, quis homenagear todos os que contribuem para o ensino e para a educação da sociedade, chamando assim a atenção para todos aqueles que escolheram o ensino como forma de vida. Infelizmente, em Portugal, não demos muita importância por causa das comemorações da implantação da República que coincide com este dia, o que é pena.

Pois, e este ano, ainda mais. Com as eleições legislativas quase ninguém falou de si! Mas não se importe, Professor. Eu também já reparei que quase todas as pessoas importantes só são reconhecidas e lembradas quando morrem. E o que vale é que o Professor não morreu ainda, nem vai morrer nunca! Por isso não terá grandes homenagens, para grande pena minha. Mas terá sempre a melhor homenagem de sempre: dos seus alunos. Daqueles que todos os dias se sentam à sua frente para o ouvir, para lhe responder, para lhe mostrar, para aprender consigo… para viverem consigo algumas horas dos seus dias.

Dia após dia, Professor. E são estes alunos que normalmente, anos volvidos de passarem pelas suas mãos, o reconhecem, lhe agradecem, lhe são gratos para a vida. “Claro que o mérito foi todo da minha diretora de turma, que apostou em mim!”. “Se não fosse o meu professor de francês…”. “Hoje estou na universidade porque o meu professor de matemática sempre me incentivou. Ele acreditou em mim”. Enfim, um sem número de frases destas que ainda hoje ouve, eu sei!

A escola, desde sempre, sabe que para lá de todos os recursos materiais exigidos e exigíveis tem sempre em permanência o maior recurso que qualquer aluno merece: o professor. E eu sei que o Professor percebe bem o que isto quer dizer. Sempre será o maior, o melhor, o único recurso que não se gasta, que não sai de validade, que não precisa de tinteiro, que não precisa de corrente eléctrica, que não precisa de manuais, que não precisa de paredes nem tão pouco de teto. É-o em qualquer lugar do mundo. Em qualquer lugar do mundo… uauuuu. Que bom, Professor.

Serei eternamente grato a tudo o que aprender consigo, a tudo quanto me levar a aprender, a tudo quanto me ensinar. Ensine-me, Professor! Que a sua sala de aula onde eu estou seja sempre este canto pequenino do mundo tão grande, tão grande, mas que cabe aqui na perfeição. Porque nos leva a admirar. Aquela máxima que eu sei que todos os professores têm na sua agenda: entusiasmar os meus alunos a tirar prazer do seu espanto desenvolvendo-lhes a capacidade de admiração. Para admirarmos o mundo que nos rodeia, as relações que estabelecemos, as pessoas com quem partilhamos o nosso dia a dia.

Por isso, admirar é olhar o outro por dentro, o reconhecer o porquê das nossas relações é, numa palavra, compreender. Lembro-me, no primeiro dia de aulas deste ano letivo, há poucochinho, que o Professor escreveu no meu caderno e nos cadernos de todos os meus colegas os nossos direitos de leitor.

Os meus direitos de leitor agora que o ano começa. 1. O direito de não ler; 2. O direito de pular páginas; 3. O direito de não terminar um livro; 4. O direito de reler; 5. O direito de ler qualquer coisa; 6. O direito de confundir o livro com a vida real; 7. O direito de ler em qualquer lugar; 8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali; 9. O direito de ler em voz alta; 10. O direito de calar.

Mas sabe, Professor? O que mais gostei foi do que nos contou sobre o que leu. Porque percebi que foi importante para si aquilo que leu. Partilhou connosco a sua paixão pelos livros, e nós todos ficamos tão, mas tão admirados!!! Ontem não li, Professor. Queria ter lido sobre si e não li. Não li, porque não tinha onde ler. Por isso, hoje, eu não vou ler.

Porque não quero e o Professor assim o escreveu. Mas vou dizer-lhe porquê. Porque não o admiraram, Professor. Porque se esqueceram do seu dia. Mas eu não… eu não me esqueci. Não me esqueci em especial daquilo que escreveu no meu primeiro dia de aulas. Mas sabe que mais, Professor? Não lhes ligue… não são eles que importam. Somos nós, os seus alunos. Eles já se esqueceram dos seus professores. É da idade!

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