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Apanhados em flagrante

Escreve quem sabe

2020-05-03 às 06h00

Cristina Fontes Cristina Fontes

“Covid-19. Economias melhor preparadas recuperarão mais rápido.” Esta paragona do jornal Dinheiro Vivo (em https://bit.ly/2Wedg7r, acedido em 01-04-2020) incorre num erro frequente. Quando o advérbio “bem” modifica um adjetivo participial (neste caso, “preparadas”) forma o comparativo ou o superlativo através da forma regular analítica “mais bem”. Assim, o correto seria escrever “Covid-19. Economias mais bem preparadas recuperarão mais rápido.”
De volta às siglas. Nos últimos dias, temos sido bombardeados com várias, muitas vezes, erradamente escritas. As siglas não têm plural. A informação do plural é-nos fornecida pelos determinantes ou quantificadores que as antecedem (ex.: A ONG, as ONG, uma ONG, duas ONG). É igualmente errado usar o apóstrofo, uma vez que este sinal diacrítico é sinal de elisão, em português, utilizado para supressão de vogal. Pelo que não é correto utilizá-lo antes do “s” para pluralizar as siglas.

Infelizmente, o erro parece suplantar a forma correta, a ter em conta alguns órgãos de Comunicação Social. Vejamos alguns exemplos recentes: “Apoiar as PMEs, mas depressa” (Jornal Expresso em https://bit.ly/2z0mj3X, acedido em 01-04-2020); “A informação que nos chega das empresas, sobretudo as PMEs,…” (Jornal Observador em https://bit.ly/2KQAr2i, acedido em 01-04-2020); “Deloitte e CIMBAL apoiam PME's do Baixo Alentejo” (Rádio Voz da Planície, em https://bit.ly/2KSFmQl, acedido em 01-04-2020); “Abertura de ATL´s”, TVI, Jornal da uma, de 01-04-2020).

O verbo “aceitar” tem duas formas de particípio passado: uma forma regular ou fraca (aceitado) e uma forma irregular ou forte (aceite). Todavia, há regras para a utilização de uma ou de outra. A forma fraca deve ser utilizada com os verbos auxiliares “ter” e “haver” (ex: Ele tinha aceitado o nosso convite). A forma forte deve ser usada com os verbos auxiliares “ser” e “estar” (ex.: A minha inscrição foi aceite). Daí, o título do jornal Correio da Manhã – “Presidente do Supremo Tribunal diz nunca ter aceite convites de clubes para jogos de futebol” – ter um erro (em https://bit.ly/2z0917o, acedido em 01-04-2020).
Há outros verbos que têm o mesmo comportamento e que também são usados de forma incorreta.

Eis alguns exemplos: morto/matado - “O ex-soldado eslovaco Miroslav Marcek foi condenado a 23 anos de prisão por ter morto o jornalista de investigação” – (Jornal Público em https://bit.ly/3fcpsxW , acedido em 01-04-2020); salvo/ /salvado – “O enfermeiro português a quem o primeiro-ministro britânico agradeceu por lhe ter salvo a vida” – (RTP Notícias, em https://bit.ly/3cZXjbA, acedido em 01-04-2020); eleito/elegido – “brincando com o facto de ter eleito um look estival” (Revista Caras em https://bit.ly/2YmasHQ, acedido em 01-04-2020).

Fica a chamada de atenção para dois verbos (encarregar e empregar) em que dever-se-á usar apenas o particípio passado regular - encarregado e empregado - (e não “empregue” e “encarregue”). Errou o Diário de Notícias aqui: “Benny Gantz (…) foi encarregue de formar Governo” (em https://bit.ly/2Sro00X, acedido em 01-04-2020) e o MAAT – Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia aqui: “O termo “hauntologia” foi empregue por escritores como Mark Fisher e Simon Reynolds”, em https://www.maat.pt/pt/event/futuros-perdidos, acedido em 01-04-2020).
Errar é humano, perpetuar o erro é comodismo.

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