Correio do Minho

Braga,

- +

Apostar no conhecimento é a solução

Decisões que marcam

Apostar no conhecimento é a solução

Ideias

2019-03-12 às 06h00

Jorge Cruz Jorge Cruz

“Liderar não é tanto uma questão de mão pesada mas mais de assento firme”
(José Ortega y Gasset)

Portugal tem boas razões para confiar que a trajectória de crescimento da sua economia “não corre o risco de ser interrompida”, pese embora a necessidade de “criar todas as condições para ser prosseguida”.
Esta, a convicção do Primeiro-ministro, repetida há dias em Braga, no quadro da inauguração da nova unidade da empresa Bysteel, do grupo DST, e que representou um investimento de 16 milhões de euros e permite criar mais de 200 postos de trabalho.

Na ocasião, António Costa lembrou que foi em 2018 que foram celebrados mais contratos de investimento desde o início da década, aproveitando para anunciar a existência, na AICEP, de um vasto conjunto de projectos que poderão representar investimentos de dois mil milhões de euros nos próximos anos.
Ao traçar uma panorâmica da economia portuguesa, o Chefe do Governo mostrou-se convicto de que o peso das exportações no Produto Interno Bruto, que já se situa nos 44 pontos percentuais, tem condições para aumentar mais seis pontos, alcançando os 50 por cento. Todavia, e conforme o Primeiro-ministro também teve oportunidade de enfatizar, será absolutamente fundamental “investir no conhecimento, para aumentar o valor dos bens e serviços que exportamos”.

Com efeito, os antigos processos de gestão estão, hoje em dia, completamente ultrapassados sendo certo que as novas dinâmicas empresariais tornaram cada vez mais claro que “se queremos ser competitivos a exportar, temos de começar a ser competitivos a contratar o melhor talento, os melhores quadros, os melhores trabalhadores”, como disse o governante.
Creio que ao apontar o investimento no conhecimento, António Costa protagonizou um momento feliz, não somente por ter tocado num dos pontos nevrálgicos da nossa economia mas pela circunstância de o ter feito nas instalações da DST, o grupo empresarial que sempre defendeu – e pratica – políticas centradas no conhecimento e na competitividade.

Aliás, nem de propósito, o presidente do Conselho da Administração do grupo bracarense, José Teixeira, aproveitou a oportunidade para reiterar uma das suas máximas de gestão - “sem conhecimento, sem ciência é difícil competir”. E a verdade é que, com tal prática quotidiana, o grupo empresarial colhe magníficos resultados, como o comprova o facto de as contas do ano de 2018 terem sido encerradas com um volume de negócios de 340 milhões. Agora, e apenas para esta nova unidade do grupo, as expectativas de facturação em 2021 são de 45 milhões, prevendo-se que 90 por cento desse montante provenha de mercados internacionais.
São números que impressionam tanto mais que representam a consolidação de um projecto empresarial de raiz familiar mas que registou um desenvolvimento brutal, demonstrando ao longo dos anos capacidade de fazer diferente, com novos materiais e novos projetos e com mais valor, o que lhe tem permitido gerar riqueza.

Ora, a verdade é que para levar a bom porto aquilo que o Primeiro-ministro disse ser a capacidade competitiva da DST, - a qual reconheceu ser fruto da aposta no conhecimento, na inovação e diversificação de áreas de negócio - o grupo bracarense mantém uma forte aposta na celebração de parcerias com diversos centros de conhecimento, designadamente as universidades do Minho e Católica, e o IPCA. E essas parcerias têm-se revelado determinantes para o sucesso empresarial, porquanto têm permitido dotar os recursos humanos do grupo de um vasto e diversificado conjunto de aptidões que, naturalmente, resultam numa enorme vantagem competitiva nos mercados em que operam.

Nessa linha, aliás, principia na próxima sexta-feira uma pós-graduação “desenhada” propositadamente pelo Polo de Braga da Universidade Católica e que tem como destinatários exclusivos engenheiros e economistas do grupo DST. Esta formação, subordinada ao tema “das Humanidades à Liderança: Formação Humana de Quadros Superiores”, foi criada sob “encomenda” deste grupo empresarial, prolonga-se por dois semestres, e visa dotar os técnicos das ferramentas que lhes permitem um melhor desempenho das suas funções.

“Quisemos construir um curso muito coerente, para que os nossos técnicos sejam mais competentes e competitivos no mercado, mas também que sejam mais verdadeiros, mais justos e mais humanos”, explicou José Teixeira aquando da assinatura do protocolo.
O valor acrescentado que a formação dos recursos humanos traz às empresas e, consequentemente, aos negócios, não é despiciendo e reflecte-se positivamente nas economias, como aliás é comprovável nos diferentes estudos. Por outro lado, e como muito bem sublinhou José Teixeira, “mais do que fazer contas ao conhecimento deve-se fazer contas à ignorância”, até porque “os erros cometidos pela ignorância custam bem mais do que o investimento no conhecimento”.

Embora a DST esteja longe de ser um exemplo único, a realidade mostra-nos que a consciencialização do tecido empresarial para a aposta no conhecimento e na ciência ainda não atingiu os valores desejáveis. E sem essa sensibilização, sem o empenhamento que as novas dinâmicas não só justificam como exigem, dificilmente será possível aumentar a nossa competitividade.

O facto de um grupo empresarial de Braga estar na linha da frente de um pelotão de empresas que persiste na ideia de apostar na ciência e no conhecimento e com isso ajudar a alavancar a economia só nos deve encher de orgulho. Pena é que nem todos os gestores saibam reconhecer que os recursos humanos constituem o maior capital das empresas.
E infelizmente, ainda no final da passada semana vimos o presidente da Câmara uma vez mais a desvalorizar os funcionários da autarquia, ao ponto de admitir que, se pudesse, colocaria pulseiras eletrónicas em alguns deles. Uma atitude absolutamente inqualificável!

Deixa o teu comentário

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.

Bem-vindo ao Correio do Minho
Permita anúncios no nosso website

Parece que está a utilizar um bloqueador de anúncios.
Utilizamos a publicidade para ajudar a financiar o nosso website.

Permitir anúncios na Antena Minho