Correio do Minho

Braga, quarta-feira

As Associações dos Antigos Escuteiros e Guias

‘Tu decides’ e o AE Maximinos move-se pela cidadania

Escreve quem sabe

2015-03-06 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Foi no dia 21 de maio de 1939 que, cerca de 80 antigos membros do CNE se reuniram no Sameiro onde foi celebrada uma Missa de sufrágio pelos escutas já falecidos e promessa solene. “Foi uma iniciativa muito simpática, que chamou ao Sameiro inúmeros rapazes, e alguns homens já feitos, que recordando tempos saudosos já passados, não regatearam louvores ao Escutismo em que militaram”. É assim que o Padre Benjamim Salgado, Assistente Regional de Braga, em Agosto de 1948, na Radiosa Floração, descreve esta que foi a primeira reunião de antigos escutas.

Logo nesse ano (1939) o CNE criou a “União dos Antigos Escutas” como uma nova secção do movimento - ideia que não vingou, tal como uma outra em 1941. Foi necessário esperar pelo regulamento de 1955 para ser criada a “Fraternidade de Nuno Álvares”. O Regulamento aprovado em 1975 dedica a parte VII à Associação de Antigos Escutas e estabelece as finalidades desta associação nascente que, em 1997, vê aprovados os seus estatutos pela Conferência Episcopal Portuguesa, sendo, em 2003, admitida como associação-membro da organização mundial dos antigos escuteiros e guias.

Se evoco aqui este nascimento da FNA é para estabelecer duas linhas mestras da sua essência. Por um lado, esta ligação à Igreja e a Maria, em 1939 no Santuário de Nossa Senhora do Sameiro, por outro lado, para marcar esta ligação íntima e complementar ao seu ponto de origem o CNE e tal como documenta o Padre Benjamim Salgado: “recordando tempos saudosos já passados, não regatearam louvores ao Escutismo em que militaram” esta complementaridade vê-se no dia-a-dia das associações irmãs.

Mas, tal como o CNE, também a Associação dos Escuteiros de Portugal e a Associação Guias de Portugal criaram as suas associações de antigos escuteiros e guias para que o espírito escutista e guidista, vivido nas fileiras do CNE, AEP e AGP, se mantenha vivo e para, sempre que possível, haja uma cooperação com a associação de origem.

O relacionamento institucional entre as Organizações Mundiais do Escutismo e do Guidismo (OMME e AMGE) e a Fraternidade Internacional dos Escuteiros e Guias - organização mundial para adultos, de apoio ao Escutismo e ao Guidismo, baseada nos ideais e princípios Escutistas/Guidistas tal como são expressos na Lei e Princípios (FIEG) -, é marcado por este clima de cooperação entre entidades. Da reunião realizada no dia 14 de julho de 2011, em Genebra, resultou um memorando de entendimento sobre as missões destas duas organizações que se baseiam em distintas, ainda que relacionadas, finalidades.

Nos dez pontos do memorando, reitera-se o reconhecimento que só há duas organizações mundiais para representar o Escutismo: a OMME e a AMGE, e a concordância em continuar a evitar usar qualquer terminologia ou tomar qualquer ação ao nível internacional relativamente a “escuteiros adultos”, que possa prestar-se a confusões com o papel dos adultos na OMME. Este memorando permitiu que a Fraternidade Internacional dos Escuteiros e Guias visse renovado o seu estatuto consultivo junto da OMME, para um novo triénio.

É neste espírito definido entre a OMME e a FIEG e no respeito por todos os admiradores da genial ideia de Baden-Powell, expressa no “Escutismo para Rapazes” - de ajudar os jovens a tornarem-se em cidadãos solidariamente ativos à luz da sua Fé -, que, em Portugal, as associações de antigos escuteiros e guias têm mantido esta ligação estreita entre pessoas que tiveram um determinado percurso no CNE, na AEP ou na AGP, desenvolvendo, cada vez mais, esta forma de ser escuteiro, escoteiro ou guia na sociedade, nos diversos estádios da vida de cada um. É a valorização das origens no respeito pela diversidade de origens.

Esta simbiose é tão intensa que, muitas vezes, as sedes são comuns, como comuns são a organização e a vivência de atividades, no respeito pela missão de cada um. Há um clima de equilíbrio total entre os três ramos do movimento escutista e guidista em Portugal que em muito contribui para o desenvolvimento da ação educativa.

É fundamental que este equilíbrio e clima de confiança entre as associações dos antigos e dos atuais escuteiros e guias seja mantido e aprofundado, para que o respeito pelas áreas de ação e pelas especificidades das visões de cada um seja uma realidade para que o escutismo e o guidismo sejam, cada vez mais úteis às crianças e jovens, à sociedade e ao país.

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