Correio do Minho

Braga, quarta-feira

As autárquicas em Braga

Sem Confiança perde-se a credibilidade

Ideias

2011-02-08 às 06h00

Jorge Cruz

De que estará o Partido Socialista à espera para escolher o seu próximo candidato à presidência da Câmara de Braga? Nos anteriores actos eleitorais a questão nunca se colocou ou, melhor dizendo, foi sendo adiada até às vésperas das eleições. Mas nas autárquicas antecedentes o PS podia dar-se a esse luxo porque o “jogo” estava de certa forma “viciado” pelo facto de os socialistas poderem apresentar o ‘joker’.

Com Mesquita Machado impossibilitado de concorrer, as próximas autárquicas serão, pois, as primeiras eleições em que o Partido Socialista tem absoluta necessidade de escolher e apresentar atempadamente o seu candidato. A premência da indigitação tem a ver com a necessidade de dar a conhecer o escolhido, de preferência dando-lhe a visibilidade que uma candidatura precisa para ter hipóteses de vir a ser vitoriosa. Mas, a julgar pelas notícias mais recentes, não é este o caminho que está a ser seguido.

Com efeito, perante o cenário real da anunciada retirada forçada de Mesquita Machado, a maior força política do concelho de Braga assobia para o lado, mete a cabeça na areia e faz de conta que não é nada consigo, como se o invencível autarca ainda pudesse apresentar-se uma vez mais ao eleitorado.

Se o PS tem aspirações a conservar o poder municipal na cidade dos arcebispos convém acordar rapidamente. É conveniente iniciar o quanto antes o processo de sucessão, por muito doloroso que o mesmo se venha a revelar. E a prudência aconselha a que tudo seja tratado no local apropriado e não, como tem vindo a suceder, na praça pública, por muito que alguns protocandidatos se ponham em bicos de pés.

O adiamento da decisão, com a consequente manutenção das expectativas aos que sonham com a passadeira vermelha estendida por quem sempre se empenhou no terreno, só penaliza o PS. Como também são prejudiciais alguns sinais contraditórios que amiúde são passados, intencionalmente ou não, para a opinião pública. Não basta afirmar a recusa em anunciar sucessor. É preciso que a tal declaração corresponda, de facto, ao “modus operandi”.

Evidentemente que estas questões, de grande sensibilidade e de relevância política extrema, deveriam ser convenientemente analisadas nas instâncias próprias, isto é, nos órgãos do partido. Seria esse o local mais apropriado para discutir os programas propostos por cada um dos eventuais interessados em apresentar a sua candidatura a cabeça de lista para a Câmara. E a escolha deveria sair precisamente dessa discussão política e programática. Ao fim e ao cabo, do que se está a falar é de primárias de onde sairia um candidato reforçado por uma escolha colectiva e completamente descontaminada de factores antidemocráticos, como podem ser as pressões e interferências externas.

Aquilo que afirmo em relação aos socialistas de Braga é igualmente válido para o PSD, partido que parece também estar a viver uma espécie de luta fratricida pela escolha do nome que encabeçará a lista às próximas autárquicas. Tanto quanto é possível observar, neste caso o problema decorrerá do facto de o candidato natural estar aparentemente a ser acossado por um companheiro de partido, eventualmente por já ter sofrido duas derrotas consecutivas.

Noutros pontos da geografia nacional, onde o PSD é poder, a questão da indicação dos candidatos a sucessores parece estar substancialmente mais facilitada, através da suspensão e/ou renúncia dos presidentes. Nestes casos, de que podem vir a ser exemplos os municípios de Coimbra, Cascais, Sintra ou Vila Nova de Gaia, para só referir alguns, a estratégia deverá passar por aquela que é considerada a via natural da sucessão. Deste modo, ao recuo do presidente corresponde de imediato o avanço do vice-presidente da autarquia que, dessa forma, ganha mais visibilidade para potenciar a futura candidatura.

É claro que esta solução, que tem vindo a ganhar cada vez mais adeptos, principalmente com a legislação limitadora do número de mandatos, só pode ser utilizada por quem já detém o poder. Meta que, como se sabe, nunca foi alcançada em Braga pelos social-democratas.

Ao PSD bracarense restará, assim, resolver rapidamente a questão do seu próximo candidato, isto é, decidir se continua a apostar na “prata da casa”, numa linha de continuidade, ou se opta pela novidade, preferindo nesse caso importar outra personalidade, eventualmente com maior experiência.

Qualquer uma das soluções encerra virtualidades bem como aspectos menos positivos, mas estou tentado a acreditar que, para os interesses dos social-democratas, a insistência na figura que tem sido o rosto da oposição parece apresentar mais vantagens e, por essa razão, deverá ser a escolhida.

De resto, o próprio até já manifestou publicamente o propósito de ser candidato.
Como quer que seja, as próximas eleições autárquicas prometem ganhar o “suspense”, a incerteza que praticamente nunca antes tiveram. Por um lado, porque o vencedor crónico é obrigado a desaparecer de cena, o que abre novas perspectivas para os candidatos da oposição.

Por outro, porque embora partindo, de certa forma, em vantagem pelo facto de ser poder, a verdade é que o PS poderá vir a defrontar-se com muitas dificuldades para vencer as eleições. A gradação das hipóteses de sucesso dependerá, em grande medida, da figura que vier a ser escolhida para liderar o projecto pelo que, a esta distância e ignorando-se quem vai protagonizar a candidatura, é muito arriscado fazer quaisquer prognósticos. A ver vamos se o PS desbarata ou não a vantagem de ser poder.

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