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As Bibliotecas e a educação virtual no combate à infodemia

Quem me dera voltar a ser Criança

Voz às Bibliotecas

2020-04-30 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

Numa altura em que estamos mais expostos aos conteúdos digitais e demais informações que “circulam” na internet, devido à pandemia provocada pela Covid-19 e ao consequente confinamento que estamos a viver, surge com particular relevância o problema da veracidade dos conteúdos com que, muitas vezes, somos confrontados em resultado das nossas pesquisas. Em apenas alguns cliques acedemos a diversa informação, no entanto, por vezes, temos dificuldade em perceber a veracidade do que nos é transmitido, sendo frequentes as notícias falsas ou “fake news”, termo inglês como são conhecidas. Este problema é bastante pertinente até porque estas notícias são deliberadamente falsas e assim construídas para serem entendidas como notícias verdadeiras para se propagarem nas redes sociais com a finalidade de criarem benefícios de carácter político, económico ou social, ou até, de lançarem o pânico e a desinformação induzindo as pessoas em erro.

A partilha de “fake news” e a sua disseminação é difícil de evitar, e a sua propagação encontra alguma facilidade nas redes sociais como o Facebook, o Twitter e o WhatsApp e, em particular, neste último por ser um aplicativo de mensagens privadas e não ter carácter público, funcionando muito em grupos familiares e por isso mais difícil de questionar.
Entretanto, começam já a surgir algumas ferramentas que ajudam a detectar informações falsas. A título de exemplo refira-se, no caso do Facebook, a inclusão de uma ferramenta que permite dar algumas pistas sobre a veracidade da notícia – é o caso do “i” que surge dentro de um círculo nas notícias partilhadas no “feed”. Ao clicar aí, os utilizadores acedem a mais informação “sobre os conteúdos” sendo direccionados para fontes como a wikipédia ou agências noticiosas que possibilitam mais conhecimento sobre quem os publica.

A educação virtual é, assim, uma estratégia importante para detectar notícias falsas, cabendo às bibliotecas um papel de relevo na sensibilização dos seus utilizadores para a adopção de uma atitude crítica para conter a disseminação de conteúdos enganadores. O Parlamento Europeu aposta mesmo na literacia mediática e na disponibilização de várias plataformas para combater a infodemia. O Serviço de Estudos do Parlamento Europeu divulgou, em Fevereiro de 2019, um documento – como identificar «notícias falsas» (Parlamento Europeu – ThinK Thank) – elaborado por Naja Bentzen (Serviço de Estudos de Apoio aos Deputados) para ajudar os deputados e restante pessoal do parlamento europeu no seu trabalho. E isto, porque devemos ter em consideração que “seis em cada dez notícias partilhadas nas redes sociais não tenham sequer sido lidas pelo utilizador que as partilhou” e que cerca de “85% dos europeus consideram que as «notícias falsas» constituem um problema no seu próprio país e 83% são de opinião que este fenómeno representa um problema para a democracia em geral”. Assim, o documento divulgado assenta em 8 premissas, a saber:

1. Verifique o conteúdo (se os factos e os números são exactos; se o órgão de comunicação é credível);

2. Verifique o órgão de comunicação (se o conhece; se o URL parece estranho; quem está por trás desse órgão de comunicação; verifique o que outras fontes dizem sobre ele);

3. Verifique o autor (se a pessoa existe realmente; se o autor inventou o próprio nome, é provável que o resto também seja falso);

4. Verifique as fontes (se as fontes que o autor usa são fidedignas; se os peritos citados são verdadeiros especialistas; se a história utiliza fontes anónimas ou nenhumas, poderá ser falsa;

5. Verifique as imagens (verifique através de uma pesquisa de imagens se a mesma foi utilizada anteriormente num contexto diferente);

6. Pense antes de partilhar (tenha em atenção que a história pode ser uma distorção de acontecimentos reais ou antigos ou uma paródia; se um acontecimento for real, os meios de comunicação credíveis dar-lhe-ão cobertura);

7. Questione os seus próprios preconceitos e estereótipos (por vezes, uma história é demasiado boa ou divertida para ser verdadeira; confronte a história com informações mencionadas em fontes credíveis), e

8. Ajude a descobrir informações falsas (denuncie as notícias falsas; passe a palavra e informe os seus amigos).

Desta forma, podemos contribuir para combater a infodemia de notícias falsas ou enganadoras nas redes sociais.

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