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As Bibliotecas e a guerra da informação

Ganó el estilo Rueda*

As Bibliotecas e a guerra da informação

Voz às Bibliotecas

2022-03-03 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

Num tempo em que somos cada vez mais assoberbados com informação do mais variado género, que circula com enorme rapidez nos media e sobretudo na internet, temos de estar preparados para perceber da sua veracidade. Já aqui, tive a oportunidade de falar nas notícias falsas ou “fake news”, termo como são conhecidas em inglês. Na ocasião, referi que este problema é bastante pertinente até porque estas notícias são deliberadamente falsas e assim construídas para serem entendidas como notícias verdadeiras para se propagarem nas redes sociais com a finalidade de criarem benefícios de carácter político, económico ou social, ou até, de lançarem o pânico e a desinformação induzindo as pessoas em erro. Também afirmei que a partilha de “fake news” e a sua disseminação é um problema difícil de evitar, e a sua propagação encontra alguma facilidade nas redes sociais. Importa estarmos preparados para nos precavermos deste fenómeno e combater a infodemia de notícias falsas ou enganadoras no mundo digital.
Afirmei ainda que a educação virtual é, assim, uma estratégia importante para detectar notícias falsas, cabendo às bibliotecas um papel de relevo na sensibilização dos seus utilizadores na adopção de uma atitude crítica para conter a disseminação de conteúdos enganadores. No entanto, este fenómeno atinge uma outra vertente também preocupante e que tem a ver com a manipulação da informação e da notícia dando origem a uma guerra de informação para a qual temos de estar preparados.
A este propósito, refira-se o apelo da Associação de Bibliotecas da Ucrânia, lançado no passado dia 23 de Fevereiro às bibliotecas de toda a Europa, na sequência do ataque da Rússia, afim de se mobilizarem na divulgação de informações precisas sobre o conflito. Nesse apelo, dirigido a toda a comunidade bibliotecária, começa por reconhecer-se o espírito de vanguarda na luta contra as falsificações, a desinformação e as ameaças cibernéticas, e exalta-se a importância das bibliotecas como espaços educativos onde todos têm a oportunidade de adquirir novos conhecimentos e competências. Afirma-se, igualmente, que os bibliotecários ensinam e ajudam centenas de milhares de pessoas todos os dias a dominar as habilidades para viver no mundo digital e ter um ciberespaço seguro para si e para os seus entes queridos. Reconhece-se que todos os dias, os bibliotecários trabalham para que as pessoas, comunidades e sociedade possam distinguir informações verdadeiras de mentiras e resistir à informação e à manipulação psicológica.
Em resposta a este apelo, a EBLIDA (European Bureau of Library), o NAPLE (National Authorities on Public Libraries in Europa) e a Public Libraies 2030, três organizações que muito concorrem para o fortalecimento das bibliotecas públicas na Europa, exortam à sua mobilização para que divulguem informações precisas e correctas sobre o actual conflito na Ucrânia, como meio de apoiar a democracia e a liberdade de expressão, considerando que este “ataque bárbaro da Federação Russa é contra os princípios básicos de uma sociedade sustentável, democrática e equitativa”. Para percebermos a importância desta posição, refira-se que a EBLIDA é o gabinete europeu de associações de biblioteca, informação, documentação e arquivo na Europa, que reúne cerca de 110 membros de 34 países representando 65 mil bibliotecas públicas na europa, concentrando a sua actividade na legislação europeia sobre bibliotecas, impacto da biblioteca na sociedade, Objectivos de Desenvolvimento Sustentável na Europa, e apoia o acesso à informação na era digital promovendo o papel das bibliotecas e dos arquivos numa sociedade equitativa, democrática e sustentável; o NAPLE é uma associação não governamental internacional que persegue os interesses das autoridades bibliotecárias nacionais na Europa promovendo princípios e estratégias para políticas de bibliotecas públicas; e a Public Libraries 2030, uma organização com sede em Bruxelas que trabalha para a afirmação das bibliotecas como parceiro ideal em projectos inovadores que visam os problemas globais que os cidadãos da EU enfrentam.

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