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As Bibliotecas e a prevalência da leitura em papel

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As Bibliotecas e a prevalência da leitura em papel

Voz às Bibliotecas

2019-06-27 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

Nas bibliotecas públicas mantém-se a prevalência da leitura em papel apesar dos diversos dispositivos electrónicos, desde os computadores e telemóveis aos e-readers, tablets e outros, serem utilizados cada vez mais para ler, verificando-se também uma certa complementaridade na leitura através dos dois suportes (papel e electrónico) nas bibliotecas, muito por causa da facilidade de acesso à leitura e à informação que é proporcionada nestes espaços e que vai muito para além do livro impresso. Se é certo que a leitura em papel de certas obras de referência como são o caso das enciclopédias perdeu terreno para a leitura no ecrã, também sabemos que a preferência pelo papel é superior porque a compreensão é maior quando se lê em papel, ao contrário do que acontece quando o mesmo é lido em ecrãs. A esta conclusão chegou o estudo intitulado «Don't throw away printed books: A meta-analysis on the effects of reading media on reading comprehension» desenvolvido pelos cientistas Ladislao Salmerón, Pablo Delgado e Cristina Vargas, da Universidade de Valência (Espanha), e por Rakefet Ackerman, do Technion – Instituto de Tecnologia de Haifa (Israel), publicado em finais de 2018 (ver: https://doi.org/10.1016/j.edurev.2018.09.003).
O estudo citado vai mais longe ao referir que as pessoas quando leem em suporte digital assumem «um processamento mais superficial» e que «há uma inferioridade dos ecrãs, com resultados de menor eficácia de compreensão de leitura nos textos digitais quando comparados com os textos em papel».
É certo também, segundo os investigadores, que a leitura de um romance ou poesia em suporte digital não sofre qualquer alteração na interpretação e pouca importância tem se a mesma se faz por meio de um dispositivo electrónico ou em papel porque se trata de uma linguagem mais próxima da que utilizamos no dia-a-dia e, consequentemente, menos técnica. Já o mesmo não acontece quando o conteúdo informativo dos textos é mais complexo e mais técnico exigindo maior atenção na análise do vocabulário. Para os investigadores também não é pelo facto de os mais jovens estarem habituados aos ecrãs que a compreensão é maior.
Este estudo tem ainda a vantagem de trazer à reflexão a primazia dada aos recursos educativos electrónicos ou digitais em detrimento do papel no que concerne, por vezes, aos manuais de estudo. Aqui, as reservas devem colocar-se e embora a tecnologia não possa ser excluída de utilização nas escolas, a sua adopção é mesmo importante e de extrema utilidade no caso dos materiais de estudo complementares e acompanhantes como são o caso de exercícios, filmes e outro material multimédia de apoio às disciplinas.
A evolução tecnológica, no que diz respeito aos dispositivos de leitura electrónica e aos conteúdos digitais, está a alterar a forma como as pessoas se relacionam com o livro e com a informação. Naturalmente que a tecnologia de leitura electrónica e a informação hoje existentes estão a provocar alterações no mercado editorial e nas próprias bibliotecas públicas. Sendo ainda hoje evidente a prevalência do livro enquanto formato privilegiado de leitura nas nossas bibliotecas, o certo é que vivemos um momento híbrido caracterizado pela convivência de formatos e de suportes de leitura diferentes. Por isso, as bibliotecas públicas terão forçosamente de atender à nova realidade agora emergente e dotarem-se de recursos e de meios que lhes permitam responder de forma adequada aos seus utilizadores.

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