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As bibliotecas e os seus profissionais

Aprender, ler, escrever

As bibliotecas e os seus profissionais

Voz às Bibliotecas

2024-03-07 às 06h00

Rui A. Faria Viana Rui A. Faria Viana

As bibliotecas têm um valor incontestável na sociedade. Embora todos reconheçam isso, na prática faltam apoios e muitas vezes os investimentos estão longe das necessidades mais prementes. São locais privilegiados de acesso à informação e subjacente a este pressuposto está a difusão dessa informação, devidamente tratada, junto da comunidade. No entanto, isto implica que as bibliotecas dis- ponham de recursos humanos habilitados para desenvolverem o trabalho que lhes é exigido. Também, a qualidade do serviço prestado pelas bibliotecas públicas depende, em grande parte, dos seus profissionais. Cada vez mais, há a necessidade de recursos humanos qualificados para garantir um serviço que se pretende de excelência.
Mas quais são as necessidades de recursos humanos de uma biblioteca pública?
Os profissionais da informação, que também podemos designar por bibliotecários de leitura pública, são técnicos superiores com formação (licenciatura ou pós-graduação) em ciências da informação. A eles, compete-lhes, essencialmente, a pesquisa, o armazenamento, o tratamento e a difusão da informação. Assim, a preocupação fundamental é a utilização da informação para benefício dos utilizadores da orga- nização, neste caso, a biblioteca pública, por forma a responder às necessidades da comunidade tendo presente a promoção da cidadania ativa, requisito essencial na luta contra a exclusão social. Por isso, o bibliotecário, enquanto profissional da informação deve contribuir para o desenvolvimento efetivo de uma consciente afirmação do indivíduo na sociedade. A par destes profissionais, lembramos igualmente os assistentes técnicos com formação intermédia especializada na área da documentação e informação a quem lhes compete, essencialmente, o tratamento técnico documental. Depois do desaparecimento dos cursos técnicos na área da biblioteca e documentação ministrados nos anos 90 pelas escolas profissionais, a falta nos dias de hoje destes quadros intermédios especializados condiciona sobremaneira o trabalho realizado nas bibliotecas. Trata-se de um quadro intermédio de extrema importância para o funcionamento de um serviço de biblioteca capaz e de qualidade.
No entanto, a diversidade e as exigências surgidas nas bibliotecas atuais, implicam uma equipa multidisciplinar compreendendo áreas diversificadas. Para além de técnicos com conhecimentos no domínio da documentação e informação, outras áreas são quase imprescindíveis se quisermos desenvolver um serviço de qualidade. Técnicos de animação cultural, de educação, de informática, de multimédia e de marketing, entre outros, constituem recursos de diferenciação entre bibliotecas.
Atualmente verificamos a falta de investimento na formação profissional contínua ao nível das bibliotecas. É notória a falta de formação específica nos cargos de gestão e de chefia de topo, salvo se a direção das bibliotecas estiver entregue a diri- gentes. Os recursos humanos insuficientes obrigam a que muitas bibliotecas públicas funcionem com limitações e sejam obrigadas a encerrar em períodos essenciais (hora de almoço e depois das 17 horas) impedindo o acesso a muitos. O quadro de pessoal das bibliotecas deve ser pensado em função dos serviços que prestam e dos quantitativos de população que servem. Pessoal em número reduzido ou sem formação adequada, quase sempre, é responsável pelo insucesso e má qualidade de serviço. Quando não se reúnem as condições básicas necessárias para o funcionamento de uma estrutura com estas características e que exige alguma especificidade torna-se difícil a sua implantação junto da comunidade.
Portugal conheceu, desde 1987 e praticamente até aos dias de hoje, a expansão de uma rede de bibliotecas públicas que teve como finalidade dotar todos os concelhos de uma biblioteca adaptada às necessidades e interesses das populações. Daqui, resultaram bibliotecas municipais de diferentes dimensões e com graus diferenciados de desenvolvimento em função, quase sempre, da forma como os municípios as encararam. No entanto, lamentavelmente, muitas por esse país fora, por falta de apoio, dificilmente irão sobreviver como um verdadeiro serviço de biblioteca até porque já foram criadas em contextos políticos meramente eleitoralistas.?

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