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As duas faces da humildade

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As duas faces da humildade

Escreve quem sabe

2021-03-28 às 06h00

Joana Silva Joana Silva

A humildade é uma virtude, mas a sua interpretação é algo que é discutível, pelo entendimento que se tem da mesma. Algumas pessoas conotam a pessoa humilde, como alguém que deve ser submisso/a, alguém vulnerável que foi fustigado/a pela vida (tal como se diz na expressão popular, “o/a desgraçado/a” ). Por oposição temos do outro lado, aquele/a que é entendido como o/a “pouco humilde”, rotulado/a frequentemente como “o/a que se gosta de armar” ou “o/a que tem a mania” e que a sua única e primeira prioridade é ele/a próprio/a. Hoje numa sociedade cada vez mais autocentrada é preciso rever ideias que se tomam como certas e na realidade não o são. Há pessoas que mostram ser humildes, quer nas suas atitudes e comportamentos, “respeitosos e de uma gratidão infinita ” perante outras pessoas, mas que na realidade não o são. É a chamada necessidade de “serem bem vistos”. Por outro lado, há aqueles/as que são mais reservados/as emocionalmente e que pela sua personalidade própria são interpreta-dos/as como pessoas arrogantes, mas são na maioria das vezes, aqueles/as que tem entre si a virtude da bondade. Pessoas que não “são desgraçadas” e são humildes. A pessoa pouco humilde, “apregoa aos quatro ventos” o que faz, o quanto é solidário/a, o quanto é amigo/a. Quase que uma necessidade compulsiva, que não fica realizado/a, se não o/a reconhecerem como tal. O/a verdadeiro/a humilde, toma a atitude de fazer/ ajudar em segredo, e não sente a necessidade de tornar publico as “boas ações”. A humildade define-se pelas características de ser correto, de admitir erros, mas ao mesmo tempo de se valorizar enquanto pessoa. A visão mais incorreta de perceber a humildade reconhece, a pessoa humilde como cheia de limitações como se o “mundo lhe fizesse mal” e que verdadeira injustiça! A visão correta é aquela que define humildade como a capacidade da própria pessoa perceber os seus pontos fortes e fracos da personalidade. Há mais facilidade de perceber ou até identificar atos de humildade, quando se está num contexto de relacionamento interpessoal. Por forma a clarificar, entenda-se por relacionamento interpessoal, a convivência, o convívio, a relação entre pessoas. No círculo social (de amizades) ou até profissional, interagimos com pessoas, correto? Quem nunca escutou, “ (…) está melhor de vida e agora esqueceu quem esteve sempre do lado”? Não é assim tão linear ou claro e há que se perceber o “outro lado da história” . Há de facto, algumas pessoas que sem qualquer empatia pela outra pessoa, são apoiadas e posteriormente, quando estão bem, “sofrem de lapsos de memoria severos” e esquecem as suas origens. Há por outro lado, outras situações, que ao contrário do que se possa pensar, são muito comuns de acontecer. Pessoas que “deixam para trás” ou que terminam o contacto ou laços sociais com outras pessoas, porque de facto e na “realidade nua e crua”, aconteceram situações menos positivas e que magoaram emocionalmente e que ao não serem esquecidas ou ultrapassadas, rompem o laço de amizade. Analisemos em situações concretas. Imagine que mudou de atividade profissional e correu tão bem que conseguiu ter uma posição económica muito favorável. Este sucesso, foi consequência do resultado, do seu esforço, dedicação e muitos sacrifícios. Entretanto algumas pessoas, acusam-no/a de falta de humildade, porque deixou de interagir com as mesmas. As mesmas” não se lembram” (embora a primeira pessoa você, lembra-se muito bem) das vezes em que não o apoiaram ou até foram indelicados com comentários depreciativos. Neste sentido, quem é o mais humilde? Aquele/a que se recusa a ter um contacto social que outrora o prejudicou, ou aquele/a que exige um contacto social , mesmo sabendo que nem sempre teve a atitude mais correta?! Falta de humilde, é na verdade, o que exigimos dos outros o que não construímos ou fizemos pela pessoa. Nós somos o resultado das boas ações, das boas palavras e das boas memórias que deixamos nos outros. Qualquer situação menos boa, “o comum dos mortais”, deixa para trás.
Ser humilde não ser inferior ou submeter-se perante os outros. Não é ter de “dar a outra face da cara” para que possam “bater”. É reconhecer de onde veio e para onde vai, num caminho de transparência e respeito para consigo e para com os outros. Ser humilde é ser inteligente. Não é a inteligência que se adquire pela leitura de livros teóricos. É uma inteligência que a vida ensina, pelos erros que se comete mas que ao mesmo tempo permite evoluir. Por último, não é falta de humildade se tiver que passar uma única vez na vida de alguém. Falta de humildade é a pessoa que não foi justa e correta consigo e depois exigir boas ações e respeito de si.

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