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As laçadas que espelham (d)a força

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As laçadas que espelham (d)a força

Escreve quem sabe

2020-12-15 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Quem cala, consente. Ou não. Talvez seja mais fácil - mais descomplicado – calar em vez de falar. Ou não. Depende do que é, ou do que possa vir a ser. Por vezes é mais sensato calar, é verdade. E, outras vezes, é mais acertado falar, refutar, questionar aquilo que nos está a ser dito. O importante, aqui e em tudo, é que a verdade e a honestidade sejam os focos principais de ação ou as esteiras que a sustentam. No fundo, que não nos esqueçamos daquilo que é íntegro, e que nos ajuda a ser melhores para o Outro.
As relações são complexas, repletas de laços e malhas. Nem todas são difíceis, mas a sua complexidade permite que igualmente sejam produtivas e com possibilidade de abundância para todos aqueles que as integram e que as vivem. As mais custosas ajudam-nos a crescer como pessoas, ajudam no entendimento daquilo que é mais importante e alavancam o nosso sentido de pertença. Nem que seja a vontade de não pertencer, de não querer estar num determinado sítio, num determinado momento. Arrisco dizer que as mais difíceis são também as que permitem um maior, e mais completo, autoconhecimento. Sugiro uma valorização dessas relações: afinal, o que seria de nós sem elas?
As menos penosas, e eventualmente mais simples de entender, auxiliam numa maior harmonia, num maior equilíbrio – ou, possivelmente, num equilíbrio menos trabalhoso. Ambas as tipologias de relações são necessárias, tanto a nível pessoal ou profissional, assim como a nível emocional ou até cognitivo, pois forçam-nos a pensar, a memorizar e a estar atentos. Todas devem existir com conta, peso e medida, e todas dão algum sabor aos ritmos que vamos levando. Em geral, sabemos que as coisas são melhores, ou mais aconchegantes, quando partilhadas. O meio-termo torna-se essencial e, quando bem acompanhado, fica até mais consistente.
O verdadeiro desafio reside em concretizar o caminho mais certo, que nem sempre (ou habitualmente) se assemelha ao mais fácil. E este desafio é apresentado não só nas relações, mas em todas as facetas das dimensões que compõem as vivências humanas. É um desafio que faz pensar, ponderar nas possibilidades e probabilidades. É um desafio que pode tomar um formato sedutor, quase fascinante, que nos pode levar a resvalar para, como dizem alguns, «o lado negro da Força». E, embora as nossas realidades não estejam dentro das peripécias da saga Star Wars (pelo menos as que conheço), a verdade é que o desafio pode, além do mais, fazer-se perigoso.
No fim das contas, como humanos é provável que exista em nós um certo ímpeto para a rebelião contra a injustiça, em prol do bem – nuns mais do que em outros, é certo, contudo olhemos para os bons exemplos, não para os maus.
Se bem que o instinto de sobrevivência ainda esteja bem presente no nosso formato, embora mascarado pelos aspetos culturais, sociais ou espirituais que nos rodeiam, é também necessário olharmos para dentro e para fora do nosso íntimo, fazendo a questão «será que isto é correto?». E aqui as relações tornam-se essenciais na tomada de decisão, visto que estabelecem, ou ajudam a estabelecer, a ponte que existe entre aquilo que vai acontecendo no interior com aquilo que se vai passando no exterior. Obviamente, se não se encontrarem num formato adequado, é possível que a decisão final careça de uma certa ausência de, quiçá, diafaneidade. Ou moral. Ou ambas. Daí a complexidade e o entrelaçamento das relações: a linha ténue que separa os dois «lados da Força» pode ser facilmente desprezada. Ou ignorada. Ou ambas. Não obstante, não é esquecida, visto que vai aparecendo sob o formato de sentimentos incómodos ou de conforto, de acordo com a nossa anterior inclinação.
Quem cala, muitas vezes não consente. Todavia, quem consente apresenta uma ação fundamental perante aqueles que deixou falar. Ou não refutou. Ou, ainda, que deixou seguir.
A ação pode ser feita de forma oportuna, ou não. Mesmo assim, vamos sempre a tempo de reparar danos, nem que seja na ajuda, sincera, ao Outro que foi abalroado por quem deteve mais poder. E aqui reside o desafio final: sermos corajosos para o fazer.

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