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As limitações do isolamento e do ensino à distância

A estratégia cultural que tarda

As limitações do isolamento e do ensino à distância

Voz às Escolas

2020-04-27 às 06h00

Maria da Graça Moura Maria da Graça Moura

Inédito! Em poucas semanas centenas de milhares de crianças e adolescentes em todo o país passaram a ficar em casa. O fecho de escolas, jardins-de-infância e creches, fez parte da estratégia nacional para impor o isolamento social e assim conter a propagação do vírus. Vivenciam agora um mundo novo: o de terem de conviver 24 horas por dia, durante muitos dias, no mesmo espaço, sem sair de casa. Seguramente que em muitos lares já se sentem os reflexos desta nova realidade, o que inevitavelmente gera tensões, conflitos.

É particularmente preocupante o quanto a capacidade das crianças e jovens, para lidar com a mudança e preservar o equilíbrio mental nesta situação, está a ser afetada. Preocupam-nos, fundamentalmente os que vivem em casa pequenas, sem varanda, sem pátios; preocupam-nos os filhos únicos, as famílias fragilizadas com pessoas infetadas em isolamento em casa; as crianças de famílias separadas com guardas partilhadas; as crianças com necessidades educativas ou motoras específicas; as crianças com pais desempregados onde já falta o pão, as crianças com familiares idosos ou doentes, sem retaguarda familiar.
Vivem, por certo, grande angústia, incerteza, solidão, frustração, aborrecimento, medo e falta de esperança. A falta de rotinas sociais, o sedentarismo forçado, o sono alterado, a alimentação descuidada, os acidentes domésticos criam desequilíbrios funcionais e desregulação emocional.

A longo prazo, este confinamento imposto vai provocar alterações à saúde física e mental das crianças, dos jovens. Associado a estas problemáticas, acresce o ensino a distância, que entra pela casa dentro, que obriga a transformar a sala de convívio em sala de aula e que acrescenta mais ruído às rotinas familiares. Nem todos os alunos têm internet e computador, impressora e outros, e nem todos os alunos podem usar o telemóvel do pai ou da mãe. Até agora, as crianças tinham acesso limitado às ferramentas online. De repente, as redes sociais, as plataformas de videoconferência e tantas outras, passaram a ser a principal forma de sobrevivência, de comunicação.
Os nossos alunos nasceram no séc. XXI, familiarizados com a internet.
Os seus professores formaram-se no séc. XX e esta mudança drástica de estratégia para o ensino a distância obriga a adaptações e a convocar competências em tecnologias educativas, muitas vezes desconhecidos, mas que agora assumem a dianteira neste processo de ensino e aprendizagem.

É fundamental encarar a realidade de que não é possível substituir de forma “milagrosa” as aulas presenciais pelo ensino a distância nem, de um momento para o outro, superar todas as insuficiências, constrangimentos, limitações, assimetrias e desiguais condições socioeconómicas das famílias (mesmo que as escolas, as autarquias, as associações e tantos outros se multipliquem em disponibilidade para dotar os alunos de materiais necessários, de apoio social).

Não estão criadas as condições para implementar o plano para monitorizar e avaliar o envolvimento dos alunos e o seu comprometimento no trabalho, a desenvolver de forma síncrona ou assíncrona. As limitações do ensino a distância são óbvias e não podem definir o ensino do futuro.
Logo que a situação de saúde pública permita o regresso, será primordial resgatar as crianças para uma vida normal. Retomar as aulas, a turma, o grupo de pares, os professores, os amigos e a garantia do reforço pedagógico que todos necessitam.
Desejo que estejam todos bem!

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