Correio do Minho

Braga, sábado

As Parques Escolares

Mercado de Trabalho em Portugal, uma visão crítica

Ideias Políticas

2012-03-20 às 06h00

Hugo Soares

Muitos portugueses ainda hoje se interrogam como foi possível chegarmos à actual situação em que vivemos. O País está mergulhado numa das maiores crises financeiras e económicas dos últimos cem anos, um equilíbrio social periclitante e um programa de assistência externa garantindo o financiamento necessário para o Estado não colapsar. Somos, enfim, um País ligado à máquina que começa a dar sinais de querer sobreviver e mudar de vida.
Mas se é o futuro que a todos deve importar, não é menos verdade que os portugueses exigem saber como chegamos até aqui. Nos últimos dias são em catadupa as notícias relacionadas com a Parque Escolar.

Trata-se de uma empresa pública criada pelo Governo Sócrates com a missão de requalificar e modernizar os edifícios das Escolas do Ensino Secundário. O investimento na rede escolar foi por todos saudado, tanto mais que se imaginava que se tratava de investimento de proximidade que daria “trabalho” a um conjunto alargado de pequenas e médias empresas. Puro engano. A verdade é que a Parque Escolar se tornou num verdadeiro sorvedouro de dinheiros públicos mal gastos e, quiçá, num possível caso de polícia.

Foram gastos muitos mais milhões do que o previsto. Foram requalificadas muito menos escolas que o previsto. Fizeram-se escolas com ar condicionado, em que as janelas não abrem e nem ao menos têm cortinas. Foram colocados candeeiros de Siza Vieira em átrios de escolas. Foram gastos milhões em equipamentos e utensílios que não são práticos nem adequados. Foram instalados sistemas de rega em espaços sem jardins. Resultado: mais de 400% de derrapagem.

As Escolas da Parque Escolar são mais luxuosas do que as belgas, do que as inglesas ou as nórdicas e alemãs. E não consta que sejam países onde a qualidade do ensino seja inferior à nossa.

O regabofe da Parque Escolar é um claro exemplo de como o País caminhou alegremente para a bancarrota: gastar mal, gastar mais do que o necessário, gastar muito mais do que o que temos. Se esta não é uma conduta que carece de investigação pelo Ministério Público pelo crime de gestão danosa, então bem pode o Sr. Procurador-Geral da República fazer o render da guarda tão conhecido no País da Rainha de quem ele diz ter os mesmos poderes.

Foram muitas Parques Escolares, foram muitos Euro 2004, foram muitos cartões de crédito, foram muitos Magalhães, foram muitas teimosias, mentiras e incompetências que nos conduziram à actual situação.
É, pois, tempo de arrepiar caminho.

Portugal precisa de equilibrar as suas contas públicas, reduzir o seu défice externo e solucionar os seus problemas estruturais.
Só assim se recoloca a economia a crescer e a criar emprego. Alguns dos principais responsáveis pelo estado do Estado têm dito que é preciso injectar liquidez na economia e diminuir a austeridade. Mas como se não há dinheiro? Mas como se o dinheiro que temos é-nos emprestado pelo BCE, pela Comissão Europeia e pelo FMI (Troika) na estrita medida do que necessitamos para garantir o funcionamento do País? Esquecem-se, esses irresponsáveis, que foram os culpados por Portugal ter deixado de ir aos mercados financiar-se. Esquecem-se, como é timbre dos irresponsáveis….

O desafio deste Governo é pois colossal. Um governo que assumiu a governação do País nas piores condições dos últimos cem anos.
Um governo que em tão curto espaço de tempo fez mais pela moralização da vida pública, pela redução dos gastos excessivos na administração e pela credibilidade externa do País do que o anterior em 6 anos. Esperemos, por Portugal, que os sacrifícios, desta vez valham mesmo a pena.

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