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As pessoas

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Ideias

2019-07-06 às 06h00

Rui Miguel Graça Rui Miguel Graça

Nasci em Braga. A minha Braga. Ali em São João de Souto. Também estudei naquela escola primária. Na infância ia a pé para a escola. O que eu adorava. Principalmente no Outono. Talvez por isso adore o Outono. Saía de Montélios até S. João de Souto. No conforto da mão paternal ia observando o mundo, as pessoas, os seus gestos, os seus momentos. As ruas, as casas, os pássaros. Ia partilhando emoções, espreitava na mercearia da Cónega, olhava a vitrine dos relógios no Maurício Queirós. Pisava as folhas do chão junto à Câmara Municipal, subia a Rua de Souto, que já fervilhava de gente por volta das 8.20 da manhã. Virava na Pires, passava nas frigideiras, admirava os jardins da Casa do Passadiço e via de imediato a minha escola.
Aos sábados vinha com a minha mãe ao Mercado Municipal. Aos domingos o meu pai levava-me ao São Geraldo para ver um filme. Cruzava-me com as pessoas, cada um ao seu estilo e formato. Cada bracarense no seu pulsar, nas vivências da capital do Minho.
Sentia-me atraído pela Casa Rainha e pedia sempre um presente. Sentia-me atraído pela drogaria da Rua de S. Marcos e passava horas a escolher algo para levar comigo. Um pequeno nada que me deixasse a sorrir.
Joguei nas escolas do Sporting Clube de Braga sob a batuta do saudoso Professor Palmeira. Andei ao colo do Vinícius e do Régis. Estudei na André Soares. Comecei a andar nos Transportes Urbanos de Braga, segui para a Carlos Amarante, onde fui aluno da professora Hortense Santos, na disciplina de Geografia. Passei para o Dona Maria e para a Universidade do Minho. Estudei em Economia, mas não me cruzei com a Margarida Proença no assustador cadeirão Econometria. Transferi-me para Comunicação Social. Conheci logo no primeiro ano o professor Moisés Martins e no último a professora Felisbela Lopes. Tive uma ligação ao Gualtar Futsal e o Pedro Sousa era lá jogador nessa altura. As pessoas vão-se cruzando na nossa vida, vão deixando marcas, vamos criando laços...
Ah! E o Correio do Minho? O Correio do Minho conheci também na infância. Em papel na Arcada, na azafama dos bracarenses que queriam saber as notícias. Uma das edições chegou a trazer um artigo de opinião do meu pai. Sobre o coreto da Avenida.
Depois conheci as suas instalações no Parque de Exposições. A minha irmã Cláudia Catarina. Cantora, tinha acabado de gravar um disco. Pelas mãos do senhor Luís Filipe Fernandes concedia uma entrevista ao jornal Correio do Minho. “Nasceu uma estrela em Braga” era o mesmo título que fazia a vitrine da Vadeca, com os seus discos em exposição. Ao mesmo tempo conheci a Rádio no Rechicho. Lá está. A minha irmã e as suas entrevistas. Agora foi a vez da professora Adelaide Ferreira, que neste momento está no Agrupamento de Maximinos. Ah! A minha irmã tinha também ganho o Festival da ACOFA. Primeiro e segundo lugar. Noite épica. Na altura, o Karter Mendes já encantava as crianças nas festas de Natal com os seus truques de magia e, igualmente, liderava a ACOFA.
Quando me transferi para Comunicação Social decidi começar a trabalhar. E onde me dirigi? Ao Correio do Minho. Àquele pedaço de papel que tinha entrado na minha vida desde muito cedo e que até me enfeitiçou na infância. Que tinha entrevistado a minha irmã, que trouxe o artigo de opinião do meu pai, que trazia as notícias das minhas escolas, da minha Universidade, das minhas vivências e tinha pessoas com as quais eu estava identificado e sabia reconhecer.
Fui recebido pelo Paulo Monteiro, actual director e na altura Chefe de Redacção, acertamos uma colaboração gratuita e, seis meses, depois propôs-me um contrato. Aceitei de imediato. Do quadro actual fui companheiro no Desporto do Miguel Machado, da Joana Russo Belo e do Carlos Costinha Sousa. Só não fui colega de secção do Rui Serapicos. Na Rádio e no Jornal. Trabalhei com a Marta Caldeira na antiga secção Minho e, na actual, grande secção com a Marlene Cerqueira, Teresa Marques Costa, Patrícia Sousa, José Paulo Silva, Miguel Viana, Isabel Vilhena e Paula Maia.
Agora, desde 2013, na condição de Chefe de Redacção, continuo a partilhar momentos, vivências profissionais e até pessoais com vários deles. Também com a equipa gráfica Filipe Ferreira, Francisco Vieira, Filipe Leite e Rui Palmeira. Na equipa comercial com o António Moreira, Mónica Vilaça, Irene Gonçalves, Carlos Araújo e Manuel Vilaça e com os financeiros António Loureiro e Nuno Peixoto. Sem esquecer a administração liderada por Manuel de Freitas Costa
Ah! A Lurdes Marques no Maria da Fonte e à equipa da rádio Antena Minho: Rui Sequeira, José Portugal, Manuel Pinto, José Carlos Fernandes, Manuela Barros e Manuel Lago. A turma do Conexão.
Juntos. No sacrifício. Na paixão. Na dedicação. Criamos, produzimos. Enquanto equipa. Construímos o jornal Correio do Minho da actualidade. Aos do passado. Aos do presente. Às pessoas. A minha gratidão. Aos do futuro? Serão bem-vindos, para continuarmos a edificar este baluarte de Braga. Do Minho. O Correio do Minho.

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