Correio do Minho

Braga, quinta-feira

As praxes académicas

A União Europeia e os Millennials: um filme pronto a acontecer

Ideias Políticas

2014-02-04 às 06h00

Francisco Mota

Nas últimas semanas o debate à volta da praxe académica tem intensificado o tom sobre os argumentos de defesa e contra este movimento. A sociedade portuguesa tem sido alvo de informação e contra-informação de ambos os lados, não tendo sido dado o espaço a um debate sério e consciencioso sobre a matéria. Os meios de comunicação social estão mais interessados em “vender” escândalos do que propriamente em reconhecer as fragilidades e as soluções que incidem sobre o exercício da tradição académica.

Deparamo-nos com uma busca fatigante dos culpados e dos inocentes aonde verificamos um empurrar de obrigações de uns para os outros, sem que alguém assuma o problema como sendo efectivamente seu. E esta é a primeira resposta que gostaria de dar. As responsabilidades devem ser assumidas pelos Reitores e Presidentes das Instituições do ensino superior, pelo facto de serem a si confiáveis o governo das suas organizações com toda a autonomia que defendem; às académicas, federações e associações enquanto legítimos representantes dos seus estudantes e também por serem verdadeiras barrigas de aluguer do movimento praxista; por fim aos próprios estudantes porque devem assumir as suas opções, na medida em que só está na praxe quem assim pretende.

Por outro lado devemo-nos interrogar sobre o que é efectivamente a praxe académica do ponto de vista legal. Facilmente chegam a uma conclusão: que não existe. Já no meu tempo de dirigente associativo me confrontei com este problema. Trata-se de um movimento que se intitula de defensor da tradição académica mas que vive na clandestinidade. Não sou contra o movimento praxista, mas defendo que o maior passo que deve de ser dado no combate à desresponsabilização dos actos praxistas é a sua própria legalização para que aqueles que orientam a praxe possam responder pelas suas opções como acontece com qualquer outro dirigente associativo.

Quanto aos mais altos responsáveis das IES não podem continuar a fechar os olhos à praxe e acharem que resolvem esta matéria proibindo a sua prática dentro dos muros das Universidades ou Politécnicos.
Os dirigentes das associações de estudantes devem ter a coragem de reconhecer a dimensão da problemática e não continuar alimentar um movimento que não tem a coragem de se assumir legalmente perante o estado de direito em que vivemos.

Por último os estudantes e em particular os caloiros. Apenas está na praxe quem quer e a consciencialização dos limites Humanos é algo que deve estar no vosso discernimento, já não são meninos nem meninas da pré-primária ou pelo menos não deviam. Estamos a descrever homens e mulheres que daqui a meia dúzia de anos estão acreditados para singrar no Mundo real.
A culpa poderá morrer solteira sobre os factos passados, mas apenas não se muda os próximos episódios se não se quiser.

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