Correio do Minho

Braga,

As razões de uma censura

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Ideias Políticas

2012-06-19 às 06h00

Carlos Almeida

Numa postura coerente com o seu pensamento sobre a actual situação do país, o grupo parlamentar do PCP apresentou na passada se-mana uma moção de censura ao governo de Passos e Portas. Perante tamanha aceleração do infortúnio dos portugueses, que vêem degradadas as suas condições de vida a cada segundo que passa, não resta, de facto, outra saída se não a de censurar, condenar e rejeitar a política do governo.

A moção de censura, sendo um instrumento institucional de forte impacto que pode levar à queda de um governo, é, ela própria, e neste caso, a expressão geral do descontentamento que grassa no território nacional.
Que o digam se assim não é as milhares de pessoas que perderam o emprego no último ano e que, em conjunto com centenas de milhar de desempregados de longa duração, perfazem a maior e mais infeliz taxa de desemprego da história recente do país.

Que o digam os que, mesmo trabalhando (em muitos casos explorados em 12, 14, ou mesmo, 16 horas diárias), não tiveram alternativa senão a de entregar a sua casa ao banco.
Que o digam os milhares de jovens licenciados sem emprego, que nunca tiveram uma oportunidade para mostrar o que valem, para dar à economia nacional o contributo da sua formação, e que agora são convidados pelo governo a participar num programa que tem mais de empurrão para a precariedade do que impulso ao emprego. Um verdadeiro embuste, portanto.

Que o digam os pequenos e médios empresários que se viram impedidos de manter a porta aberta porque não conseguem suportar os elevados custos da energia, ao mesmo tempo que lhes é negado o acesso a financiamento, quando à banca é prestado um exemplar auxílio pelo governo.
Que o digam ainda aqueles que, para além dos cortes sucessivos nos salários, perderam agora, e muito provavelmente para sempre, os subsídios de férias e natal.

E que o digam também todos aqueles que, por não terem dinheiro, deixaram de ir ao médico ou de comprar os medicamentos; aqueles que não puderam comprar o passe de transporte; ou os que ficaram sem centro de saúde, urgências ou escola.

Mas, se para os trabalhadores e para as camadas mais desfavorecidas da população, esta moção de censura dá expressão ao seu sentimento mais profundo de contestação e constitui um sinal de esperança, para António José Seguro e restante comandita apresenta-se como um problema. É que assim não dá mais para jogar ao “agarrem-me se-não eu nem sei do que sou capaz”!
Sabem que mais? Já ninguém precisa de dizer mais nada.

A revolta lê-se nos olhos de quem percorre os dias à procura de emprego. A indignação nasce dos braços de quem trabalha e não tem o que comer. O protesto cresce nas ruas e junta mais e mais pessoas que acreditam numa alternativa. As manifestações não passam nas televisões, mas invadem as cidades e fazem tremer o poder instalado.

É esta mensagem que o PCP leva ao parlamento no dia 25 deste mês.
Nesse dia estará nas mãos de cada um dos deputados a decisão de continuar ou romper com as políticas que nos trouxeram até aqui. E a atitude que vierem a tomar caberá ao povo julgar no momento oportuno.

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