Correio do Minho

Braga, terça-feira

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As viagens interpretam as tradições

A vida é um diálogo entre fronteiras

Escreve quem sabe

2018-11-07 às 06h00

José Hermínio Machado José Hermínio Machado

Na semana de 15 a 21 de Outubro estive em Varsóvia, no âmbito do projecto Erasmus, na qualidade de presidente do Conselho Geral, dado que a organização deste projecto assim pode incluir um docente na comitiva que esteja ligado à direcção do agrupamento ou das escolas envolvidas. Juntámo-nos lá, numa sala da escola básica de Varsóvia, chamada Maria Konopnickiej, escola que integra alunos do 1º ao 6º ano de escolaridade, 4 professores de Portugal, outros quatro da Polónia, dois da Alemanha, dois da Grécia, dois de Espanha e uma da Suécia, melhor seria ter enunciado estas presenças no feminino dado que homens éramos lá apenas dois, eu e outro professor da Alemanha. O projecto Erasmus envolve estas escolas e os seus alunos em torno das áreas da robótica e da programação, ou seja, em torno das novas tecnologias, embora também tenha presente outras dimensões, como a convivência e partilha de saberes pedagógicos e educacionais, a partilha de preocupações de gestão dos projectos, a integração europeia, a comunicação em Inglês como língua comum.

A gente, lá, teve um programa intensivo de reuniões, umas para observar e participar em trabalhos de programação e de manuseamento de tecnologias, outras para coordenação do projecto, outras para observação e partilha de métodos e técnicas de trabalho, nomeadamente, como foi o caso, de trabalho com alunos requerentes de adequações curriculares ou de trabalho com alunos a partir de jogos interactivos, que os há agora em barda e para todas as dimensões socioeducativas e cognitivas. Obviamente, a Matemática é uma área subjacente à melhor compreensão e percepção do projecto, mas também as ciências estiveram presentes. As visitas à escola, com a presença nas turmas, fizeram-se e tornaram possível a observação directa de fenómenos como a disposição física dos alunos, a relação pedagógico-didáctica, a gestão da sala de aula em termos de regulação disciplinar da classe e de acesso aos conteúdos. Os alunos são parecidos em todos os lados? Uns dizem que sim, outros dizem que há diferenças de atitudes muito perceptíveis.

Tendo eu ido a Varsóvia e a uma escola e tendo as minhas colegas já ido a outros países, fiquei com a percepção de que as diferenças existem e têm a ver com todo o clima social do país e da escola, com hábitos enraizados de estar e de ser. Ali em Varsóvia ouvi e vi que os alunos estão sempre em três modalidades de estar como aqui: em correria, em gritaria e em contacto. Quando sossegam é à base de paciência adequada e de comandos disciplinares sempre audíveis, misturados sabiamente com atitudes assertivas de controlo de gestos, vozes, silêncios e movimentos. O programa teve também momentos de convívio e passeios de estudo ou visitas à cidade. Nesta dimensão, Varsóvia provocou-me algumas reflexões e para algumas delas eu precisaria de saber mais da história actual e passada do país. Nas ruas é visível a preservação das memórias que a segunda Grande Guerra Mundial determinou na vida dos polacos, vêem-se a cada passo memoriais de resistência ao invasor e de libertação das garras da dominação imposta, vêem-se as marcas da destruição que a cidade sofreu. Pois é, eu estive numa cidade cuja reedificação tem a minha idade e ao mais tudo pareceu mais antigo.

O valor patrimonial de todo o edificado está no investimento simbólico da reconstrução: tudo parece como foi antes da razia das bombas que se abateram sobre Varsóvia. Do período do regime comunista vi apenas um edificado, uma torre com miradouro no trigésimo andar, uma oferta de Estaline à cidade durante o domínio soviético, mas de antico- munismo vi que bastasse e entre os jovens ou mais novos. Os sinais que exteriorizam a religiosidade católica e o apego ao papa João Paulo II estão sempre presentes, num imaginário físico e virtual. Vi também um pouco da Varsóvia de Chopin e da Varsóvia que tem teatros enormes e variados. Da comida só posso falar bem, que me agradou e para a nossa bolsa estava acessível e variada. Quem quiser preparar-se para evitar guerras e conflitos, pode tomar Varsóvia como bom território de estudo e de presença. No Museu da Libertação do domínio Nazi, o Up Rising Museum, é que eu revivi aqueles filmes que também a nossa TV passa, pudera ser com alguma melhor regularidade, sobre a Grande Guerra e o período da Guerra Fria.

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