Correio do Minho

Braga, sábado

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Assim vai o meu país

Lance de charme

Ideias

2014-09-26 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Vai-se tornando cada vez mais difícil modelizar a atuação deste governo. O último caso foi o pedido de desculpas ou perdão por parte do Ministro da Educação e da Ministra da Justiça. Ora, não há pedidos de desculpas em política. As políticas são decididas e implementadas e dos resultados são tiradas as consequências. E se as consequências são desastrosas, como nestes casos, resta aos ministros pedirem a admissão ou serem demitidos. Esta é a lógica política.

Porquê então este teatro? Só existe uma explicação. Os membros do governo assumem-se como predestinados para “pôr Portugal nos eixos”. E, portanto, um erro aqui e além é perfeitamente desculpável, pois estão ao serviço dos portugueses, pelo que estes devem agradecer a gente tão sacrificada e dedicada. Passando o sarcasmo, uma coisa é certa: se este governo teve algum sucesso consistiu em convencer os portugueses de que só há uma saída para a crise, o ajustamento, isto é, o empobrecimento. Em tudo resto este governo falhou.

Isto explica porque é que a oposição não descola e os partidos de governo mantêm intensões de voto demasiado altas para o estado do país.

E não se vê que a oposição articule um discurso alternativo. Parte das mesmas premissas para derivar políticas iguais ou semelhantes. O frente a frente entre Costa e Seguro demonstrou isso mesmo. Berrando aqui, gesticulando além, Seguro comporta-se como uma criança a quem querem tirar um brinquedo. E isto apesar de não ter um programa alternativo ao do governo e as eleições autárquicas e europeias se terem saldado por uma vitória de Pirro. Como consequência, as elites do PS empurraram Costa para liderança. Até esta data, porém, não se vê que não tenha comprado o discurso oficial. Espero bem que seja tática e que uma vez conquistada a direção do partido, surja um programa político baseado em pressupostos diferentes dos do governo, já que os objetivos deste têm consistido basicamente no empobrecimento dos portugueses.

Entretanto, o primeiro-ministro descobriu uma nova teoria da educação- teoria da salsicha- que não se sabe bem o que é. Não explicou, embora se adivinhe. Como se advinha o que era a Tecnoforma e a embrulhada em que está mentido. A Tecnoforma era basicamente uma empresa sanguessuga dos fundos comunitários, vivendo do clientelismo político e das relações de compadrio.

Do BES não falo, não sei nada, mas parece-me uma grande vigarice que vai sair cara aos portugueses. Mas cada povo tem as elites que merece.




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