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Assobia para o lado

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Assobia para o lado

Voz às Escolas

2021-02-04 às 06h00

Artur Silva Artur Silva

Comemorámos em 24 de janeiro o Dia Internacional da Educação, subordinado ao tema do momento "Recuperar e revitalizar a educação para a geração da Covid-19". Nada mais contextualizado, uma vez que as nossas escolas do pré-escolar, básico e secundário se encontram encerradas devido à situação catastrófica que Portugal atravessa, com um número em contínuo crescimento de infetados e mortos, espelhados num Serviço Nacional de Saúde praticamente colapsado.
As escolas estão fechadas por 15 dias e segundo o próprio Primeiro Ministro deverão assim permanecer por mais algum tempo. Uns são a favor, outros são contra; uns eram a favor ontem, mas são contra hoje e não sabemos o que pensarão amanhã. Contudo, uma certeza prevalece a de que o governo nada aprendeu com o primeiro confinamento, não se preparou, não preveniu, não protegeu nenhum dos intervenientes das escolas (alunos, professores, assistentes operacionais) e não atenuou as gritantes desigualdades sociais então expostas.
A educação é a base das sociedades desenvolvidas e por isso as escolas são o espaço ideal para a promoção de valores como a erradicação da pobreza e a melhoria das condições de vida e de saúde. Foram estes valores que levaram a Assembleia Geral das Nações Unidas, em 2018, a instituir o Dia Internacional da Educação.
Estes são os valores que o Governo deveria defender ao invés de os utilizar como mera propaganda política como é o caso da chamada “Transição Digital”. Dos 400 mil computadores prometidos apenas 115 mil terão sido já distribuídos, a fazer fé nos dados oficiais. Houve praticamente um ano para que o governo se preparasse, mas mais não fez do que se apoiar no profissionalismo dos professores e na “autonomia do desenrasque” das escolas.
Em 21 de janeiro encerraram as escolas e o governo tem previsões para entrega de computadores aos alunos até 25 de março, até lá deverá vigorar mais uma vez a “autonomia do desenrasque” se eventualmente passarmos para o ensino à distância como tudo indica.
O Ministério da Educação persiste em não querer ouvir os parceiros sociais quando toma decisões. A FNE/SPZN tinha recomendado que a pausa do Natal fosse prolongada, preventivamente, por mais uma semana.
O Governo ignorou esta recomendação e os factos, infelizmente, vieram a dar razão à FNE/SPZN.
A FNE/SPZN entende que, seja qual for a solução que vier a ser adotada em relação ao tempo que se seguir a esta interrupção de 15 dias, devem ser garantidas as condições que a viabilizem e que assegurem a igualdade no acesso a recursos e à garantia de saúde e segurança para todos.
O governo continua indiferente ao envelhecimento da classe docente, assobia para o lado no seu rejuvenescimento e na atratividade da profissão de professor. A situação pandémica veio expor ainda mais estes factos, com professores portadores de patologias de risco para os quais não foi equacionada qualquer solução.
Neste contexto de pandemia, o governo não admite qualquer prioridade aos professores para a vacinação à Covid 19, apoiando-se na opinião sempre “assertiva” da Senhora Diretora Geral Graça Freitas.
Contudo, a recomendação da Direção Geral de Saúde para que os titulares de órgãos de soberania tenham prioridade na primeira fase de vacinação vai ser concretizada.
Não há qualquer distinção se alguns deles estão ou não sujeitos a especiais riscos de infeção, como é o caso dos parlamentares. Não discutindo que há titulares de órgãos de soberania para os quais esta prioridade deve existir, como é o caso do Presidente da República ou do Primeiro Ministro, teremos de convir que os professores estão seguramente mais expostos à infeção que muitos deles.

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