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Até onde chega

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Até onde chega

Ideias

2024-01-17 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Especula-se que cresça, que amplie votação e até que duplique deputados. O PS não se importaria, porque a expensas de AD em câmara ardente. O PS não se importaria, porquanto isso arrumasse de vez com um PSD de Poder. O próprio PSD não se abateria de surpreso, ou tardiamente o fará, porque não faltará depois quem encolha os ombros, entre resmungos e águas corridas de capote, evitando assisar como chegaram a escolher liderança tão atávica, tão tolhida, tão prima das que levaram o CDS ao estádio de não reprodução e à extinção a termo.
André cresceu ao bravo, sem chá nem cromados. Sem desprimor para ele e quem envolva, pode dizer-se que se viu obrigado a revolver a sucata, eventualmente a lixeira, para ganhar envergadura. Atirou-se à ciganada, à pretalhada, aos pedófilos e violadores castráveis e enclausuráveis até que porta se escancarasse por graça no cair da vida. Exorbitou moinas encostados a subsídios e corruptos em cardume. Por contraponto, exaltou a Ordem e a Família, chorou o hino e a bandeira, gloriou-se com a História, de que saberá os mínimos e, tivesse ele rasgo, e circularia um segundo tomo dos Lusíadas de seu punho, da desfeita de Quibir à apoteose de nova e briosa Ventura, que assinaria com pena e aparo, e dedicatória pessoal, porque líder que se preza tem uma palavra de alerta e conforto consentânea com cada um dos seus constituintes.
Arremedou discurso para leque de perdidos e desencorajados que lhe bebem as palavras, como outros se encantam com a verborreia de quem se chega ao balcão de qualquer tasca congénere, porque de Maio para Abril não haja que rir. Esgrimiu argumentos sem ciência nem convicção, por mero decalque, porque não se viva em Portugal a instabilidade que, por exemplo, encontro em França. Mas a arenga pega, mas a adjectivação destravada atrai, como clientelas há para os obscuros da pornografia.
Deitou mãos àquilo de que os outros fogem com os olhos, porque não se quis uma elite de tuta e meia com ele de braço dado. E como se desejava o homem nas primeiras filas! E como ansiava o galã por palco, por holofote! Deram-lhe uma corrida, e ele correu, tanto que ganhou enduro, e agora é ver quem lhe come os calcanhares. Nunca a dupla genial do partido da nódoa.
Pode o homem espalhar-se ao comprido? Naturalmente, porque não. Outros têm resvalado do alto das suas imponências, e cabe lembrar o que aconteceu ao PRD. Pode acontecer entre nós o que aconteceu com o RN francês, que de nada aparente viu multiplicada por onze a bancada parlamentar? Aspiração que o grande protagonista não realizará.
Pelo seu brilho se consome o grande arauto, mas serve esta resenha para desnudar a vacuidade dos critérios de promoção e dispensa de militantes, porque méritos não lhe encontrou a casa que ele possa arrombar sem remorsos ou trauma anímico.
Sucumba Ventura ao seu brilho: e depois? Não foi o que aconteceu a Sócrates? Não é o que vem de acontecer a Costa? Salvaguardadas as devidas distâncias, não foi o que aconteceu a Rio, que de tão sublime se encerrou à chama alheia? Que nos resta concluir? Que os partidos sejam uma balbúrdia de sociedade recreativa de quarto escalão?
Desancasse no Chega quem provas tem de lisura. Vituperasse Ventura quem não comete abusos de verbo, quem não se alinda com falácias, farsas e hipocrisias, ou descarta o PS que o descontentamento que alimenta o papão seja obra sua?
O PS cansa. O PSD não cativa. O BE e o PCP não têm muito mais para dar, e os outros são epifenómenos conceptuais, que se fossem negócios não ganhariam para a renda. E é assim que a malta vai dizendo chega.

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