Correio do Minho

Braga, terça-feira

Autarca do século XXI?

O conceito de Natal

Ideias Políticas

2016-01-19 às 06h00

Hugo Soares

É público que, por força de uma imposição legal e de uma interpretação restritiva da lei que faz o Tribunal de Contas, o Theatro Circo tinha os seus dias contados. Bem entendido, a Sociedade Theatro Circo de Braga, S.A., teria que ser extinta e, em consequência, as necessidades de uma programação cultural como as que Braga merece (e que têm sido asseguradas!!) ficariam por responder.

Julgo que é uma evidência que o Theatro Circo ocupa hoje um lugar na vivência dos bracarenses como há muito não se via. Com uma programação eclética e de qualidade, com diversidade de espetáculos, com uma gestão cuidada e rigorosa, a nossa sala de espetáculos é já da cidade e afirma-se como da região. A afluência de público é um facto insofismável.

Nos últimos anos da gestão de Mesquita Machado, o executivo municipal confrontado com as alterações legislativas que, em palavras simples, obrigavam a que o Theatro Circo tivesse 50% de receitas próprias para continuar a ter o atual modelo de gestão, varreu para debaixo do tapete o problema. Aliás, como fez com tantos outros esqueletos que teimam agora, para mal dos pecados dos bracarenses, em sair dos armários.

Perante aquilo que parecia ser um facto consumado, Ricardo Rio e a sua equipa procuraram de todas as formas convencer o Tribunal de Contas que haveria solução para ultrapassar o impasse legislativo. Todavia, as várias tentativas esbarraram no positivismo exacerbado (expressão minha) do Tribunal de Contas. Ora, face a esta realidade havia duas soluções: internalizar o Theatro Circo na esfera dos serviços municipais (com todas as consequências que daí advinham, a mais evidente das quais relacionada com uma instantânea perda de qualidade na oferta e na programação) ou sair do gabinete e resolver o problema.

Felizmente, o autarca de futuro não é aquele que vive encarcerado em quatro paredes e só sai quando põe o capacete de grande obreiro. Ricardo Rio, que também aí protagoniza um tempo novo, faz parte de uma nova geração de Presidentes da Câmara com a consciência de que o desenvolvimento de uma cidade e bem-estar dos seus munícipes ultrapassa, em muito, o paradigma a que estávamos habituados. E foi dentro desse novo contexto que na passada semana reuniu na Assembleia da República com todos os grupos parlamentares. Da extrema-esquerda aos democratas cristãos.

Na agenda? A resolução da situação do Theatro Circo. A solução? Uma alteração legislativa. De facto, ver um autarca assumir para si a dinamização de um projeto de lei que altera, em muito, as circunstâncias das empresas municipais da área da cultura em todo o País é o exemplo do Portugal que queremos e do poder local que exigimos: um País inclusivo e participado, um poder local mobilizado, liderante e preocupado com questões imateriais.
De enaltecer que todos os partidos, sem excepção, acolheram a solução apresentada e se comprometeram a ter iniciativa legislativa! Uma demonstração de que na razão não deve haver ideologia.

Ricardo Rio pode, com esta iniciativa, resolver a situação do financiamento do Theatro Circo. Mas esta iniciativa vale muito mais do que isso. Vale por mostrar que a vontade de prosseguir os reais interesses das populações não tem fronteiras nem estribos nos vários patamares da administração. Seja com Governos do PS ou do PSD, os autarcas devem ser reivindicativos, coerentes e determinados. Mas também cooperantes. Quando assim é, quem ganha são as populações. Ganhou Braga. Parabéns a Ricardo Rio.

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