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Voz às Escolas

2021-04-05 às 06h00

João Andrade João Andrade

Já decorreu mais de um ano desde o primeiro confinamento dos alunos e professores das escolas. Ano que, na maior parte do tempo letivo, as atividades do processo educativo ocorreram em regime de Ensino à Distância. (E@D). Esse ano tornou claras duas dimensões: que a sociedade só percebe que o contexto é grave e confina séria e rigorosamente quando as escolas encerram, o que traduz a irresponsabilidade da mesma; o E@D é comprovadamente menos eficaz e eficiente que o regime presencial.
Remotamente, várias dimensões tornam-se muito mais complexas ou mesmo impossíveis, tais como: a deteção de situações de risco; o apoio aos alunos com mais dificuldades (que muitas vezes integram famílias ou contextos de parca ou nenhuma capacidade complementar ou alternativa de apoio); o recurso a panóplias diferenciadas e mais eficazes de motivação, integração e socialização de alunos; a realização de uma avaliação mais aferida, seja ela formativa ou para efeitos de classificação.

No que concerne a esta última dimensão, a avaliação, o funcionamento deste segundo período letivo, habitualmente o mais longo do ano, com todas as implicações daí decorrentes, quase todo em E@D, veio agravar muito significativamente a dicotomia existente, na nossa opinião, entre as duas dimensões de avaliação que já referimos: a formativa e a aquela com propósitos classificativos.
A avaliação formativa deveria ser sempre central em qualquer processo educativo, pois é ela, quando corretamente realizada, que o regula, através da clarificação dos objetivos de aprendizagem e dos critérios a partir dos quais se desenvolvem os processos de regulação e autorregulação (feed up), da sugestão de ações para atingir os objetivos pretendidos (feed back) e permitindo aos orientadores do processo a afinação ou reorientação das futuras atividades de ensino e aprendizagem (feed forward).
Sucede que, além das dimensões atrás explicitadas da avaliação, que deveriam ser claramente positivas, pelos motivos explicitados, para todos, incluindo alunos e famílias, existe outra dimensão da avaliação, já não tão positivamente apreciada pelos mesmos, que é a classificação. Tal sucede em particular no Ensino Secundário, pelo impacto que a classificação, vulgo “notas”, tem na definição do percurso futuro dos alunos. Assim sendo, em geral, mas muito em particular durante o E@D, assiste-se à tentativa de falsificar o real sucesso das atividades educativas, comprometendo seriamente, em paralelo, a avaliação formativa, para tentar não comprometer uma eventual melhor classificação.

Pensamos que o facto de o sistema educativo, bem como a perceção social do mesmo, também assentar numa outra dicotomia, a de ser um sistema de aferição do mérito (como ainda é, por muitos, entendido o conceito de “passar de ano”: um prémio!) e a de ser um mecanismo que busca o sucesso educativo de todos os futuros cidadãos deste país, atingindo o perfil desejado à saída do ensino secundário, independentemente das condicionantes de cada um. Acreditamos que é por isso que, mesmo em anos precoces ao Ensino Secundário, muitas famílias não respondem da melhor maneira ao retorno fornecido pela avaliação formativa, por vislumbrarem na mesma alguma apreciação de demérito dos seus.
É nossa convicção de que o futuro do sistema educativo nacional passa por discutir abertamente – e resolver de vez - esta dicotomia, da forma mais clara e assumida possível.

No entanto, e retornando à avaliação em regime de E@D, pensamos que não se deve prejudicar classificatoriamente nenhum aluno, só porque se suspeita que o processo em geral é comprometido nessa dimensão.
Agora que começamos a desconfinar, uma palavra de extremo apreço a todos, alunos e – em particular - docentes, que se entregaram denodadamente a contrariar - e até a encontrar o positivo – no regime em que temos vindo a ser obrigados a executar o processo educativo.
Por tal, um pedido: saibamos, nas próximas semanas e meses, ser extremamente zelosos no cumprimento de todas as normas de saúde previstas e ter todo o cuidado e responsabilidade possíveis, connosco e com o próximo, nas mais pequenas ações do dia a dia, para não termos que sujeitar as nossas crianças e jovens a nova provação e comprometimento negativo.

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