Correio do Minho

Braga, quarta-feira

Avé Maria, Mãe dos Escutas

O Estado da União

Escreve quem sabe

2017-12-08 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

Ó Senhora do Sameiro!
Em hora de tanta dor,
Portugal,
Ajoelhado a teus pés
Confia mais uma vez
No teu amor maternal!

Música do Pe. Manuel Faria,
Letra de J. Alves
(1941).


Esta crónica será publicada no dia consagrado à Imaculada Conceição e que, durante muitos e muitos anos, também foi o dia da mãe. Portugal e a nossa diocese sempre evocou Maria, independentemente do lugar ou do estado que se lhe atribuía, como um “elemento” presente e imprescindível nas suas vidas. Talvez o sentimento mais presente nas evocações de Maria seja o sentimento da “maternidade” - Maria Mãe de Deus e Mãe dos Homens”.
Talvez porque esta tradição estava fortemente enraizada no povo e na igreja portuguesa que, com naturalidade, no Corpo Nacional de Escutas também se adotou, desde os primórdios, a designação de “Maria Mãe dos Escutas” uma mãe que protege e que orienta. Por isso, a Conferência Episcopal Portuguesa, na sua nota pastoral “CNE: Caminho de Esperança” publicada a 15 de novembro de 2012 e a propósito do 90.º aniversário do Escutismo Católico Português termina o seu texto com esta invocação: «Nas mãos de Nossa Senhora, Mãe dos Escutas, entregamos essas altas aspirações, pedindo a bênção materna de Santa Maria para todos os lobitos, exploradores e moços, pioneiros e marinheiros, caminheiros e companheiros, e também para todos os Dirigentes. Maria, estrela-do-mar, brilhe sobre cada um de vós, e guie sempre o vosso caminho!»
Das muitas designações que acolhe na nossa diocese a de “Nossa Senhora do Sameiro” tem, entre a população, em geral, e nos escuteiros, em particular, um significado muito particular. Como podemos ver na edição da Flor de Lis1 nº 10/1941, de maio, do ano VII, página 39, onde se publica o programa das festas comemorativas do 18º aniversário da fundação do CNE a decorrer em Braga, de 22 de maio a 1 de junho de 1941.
Estas comemorações de maioridade, como diríamos hoje2, teve o seu ponto alto na “Peregrinação Escutista ao Sameiro. Missa. Renovação da Promessa. Confraternização Escutista.” Para esta peregrinação foi composto um cântico pelo Padre Manuel Faria3, com letra de J. Alves, que se encontra no I fascículo, dedicado a Nossa Senhora, do “Cânticos da Juventude”, para voz e harmónio e publicado em Braga, 1945, página 12.
Este cântico com o título “Ao Sameiro” é muito conhecido e muito popular, de tal forma que foi usado aquando da visita do Papa a esta Basílica Mariana, o que não era do conhecimento geral é que ele tivesse sido composto propositadamente para uma atividade escutista. Foi graças à perspicácia do dirigente Manuel Ferreira Dias, de Guimarães, que esta verdade, perdida nos tempos e a quase inexistência da publicação, emergiu do esquecimento quando folheando os textos de seu irmão encontrou este fascículo e verificou que era o próprio compositor a identificar o destinatário da sua obra: “Para a festa do C.N.E”.
A letra, cujo refrão serviu para abrirmos esta crónica, está claramente marcada pela II guerra mundial, que decorria na altura e cujas marcas ainda hoje permanecem nos nossos imaginários, mas, também, afirma, de forma categórica, a confiança e a esperança depositada na Mãe Celestial.

1Em 1941 a Flor de Lis era publicada quinzenalmente e a sua numeração era por ano. Este ano era o sétimo ano de publicação.
2Há época a maioridade era aos 21 anos.
3Dr. Manuel Ferreira Faria, músico e compositor (1916-1983).

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