Correio do Minho

Braga, sábado

Avós os agentes de educação no séc. XXI

Noam Chomsky, um pensador crítico do mundo actual

Escreve quem sabe

2013-01-27 às 06h00

Joana Silva

Na sociedade presente, em que “não há tempo” o conceito de família tem sofrido alterações. Talvez por esta razão, os avós destacam-se cada vez mais como agentes de educação no cuidar e na substituição dos pais quando estes não podem estar presentes, seja pelos mais diversificados motivos, assegurando segurança e os respectivos valores a transmitir. O conceito de família numerosa tem vindo a desvanecer, ao contrario da família nuclear( com poucos elementos familiares) que tem vindo a crescer, assim como as familias monoparentais assumem cada vez mais lugar de destaque nos dias de hoje. Apesar de muitos dos avós manterem até mais tarde uma vida profissional activa, certo é que tem igualmente um papel fulcral na participação na vida dos netos. Um dos ditados populares mais conhecidos e o dizer que “ os avós estragam os netos”. Não é de facto de todo verdade, no entanto, poderá haver algum assentimento nesta expressão no sentido em que, os avós são mais tolerantes com as crianças do que os pais.
Isto porque, já experienciaram o papel de pais, talvez se lastimam por algumas atitudes que tiveram anteriormente e como tal tendem a ser mais permissivos para com os netinhos. Inconscientemente por vezes, crêem ainda que exercem a função de educadores quando nesta fase deveria ser de conselheiros. Por forma a clarificar o anteriormente mencionado, consideremos o seguinte exemplo: uma criança que insiste em fazer birra porque quer ver televisão e não ir dormir. A mãe, como normal, interfere e diz que tem mesmo de dormir, contrariamente a avó tende a justificar as reacções da criança num “acto defensor”. Nesta situação concreta, a interferência da avó poderá estar a desconstruir as regras implementadas pelos pais no dia- à- dia. Atenção! Os avós são boas referências e necessários ma vida dos netos. Todavia, a influência positiva dos avós pode ser contrariada por comportamentos permissivos contrários às regras impostas pelos pais. Os mimos, manifestos no afecto e respeito pela criança, são fundamentais para um crescimento sadio e para o desenvolvimento da auto - estima. Porém é de realçar, que o acto de mimar não implica a satisfação de todos os desejos solicitados pela criança, pois a satisfação dos mesmos poderá transmitir a ideia errada que o amor e o bem-estar subordinam-se à realização dos desejos. O desenvolvimento desta característica na infância poderá ter consequências nefastas posteriormente em idade adulta, pois estes adultos do amanha poderão ser pouco resistentes à frustração de não conseguir algo. Parece importante referir que as crianças devem ter as mesmas regras nas duas casas, na dos pais e na dos avós (se for o caso). Por último de lembrar que ser avô ou avó é fantástico! Uma experiência que permite passar valores importantes aos mais novos; apoiá-los nos estudos; estimular a descoberta da solução para os seus próprios problemas; participar na vida partilhar e brincar em actividades que desenvolvam as capacidades da criança, entre outras situações igualmente importantes no seu quotidiano.

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