Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Baden-Powell Cidadão do Mundo

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Escreve quem sabe

2018-02-16 às 06h00

Carlos Alberto Pereira

No próximo dia 22 de fevereiro, comemorar-se-á, por todo o mundo escutista e guidista, o dia do Fundador, ou o dia do Pensamento, como se costuma dizer na associação das guias.
Por estranha coincidência, Baden-Powell nasceu a 22 de fevereiro de 1857 anos e a sua esposa Olave Soames também nasceu nestes mesmos dia e mês, mas no ano de 1889. Como sabemos, Baden-Powell fundou o Escutismo e o Guidismo, versão feminina do escutismo, e Olave Soames foi uma preciosa colaboradora e continuadora da obra criada pelo marido.
Ao celebrarmos o 161.º aniversário do seu nascimento de B.-P., e 111 anos depois de ter criado o Movimento Escutista, é bom recordar a sua afirmação feita numa carta enviada, no natal de 1909, a Sir William Smith, fundador da Boys Brigades: «A minha intenção, como sabe, ao lançar este movimento, não foi acrescentar a outras uma nova forma de organização, mas dar às existentes um novo método de educação.», que B.-P. conhecia desde 1903.
Seria interessante perceber-se a razão que determina a importância que este homem teve, ou tem, para se ter transformado neste ícone internacional e que Robert Bastin na biografia que fez do fundador do escutismo consagrou como: Baden-Powell Cidadão do Mundo.

Relatam os seus biógrafos que os progenitores, o professor Baden-Powell, pastor e cientista em Oxford e Henriqueta Graça Smyth, que este tinha-a desposado em terceiras núpcias e com a qual tivera dez filhos, sendo que três outras crianças tinham falecido em tenra idade, e mais três1 que tivera no seu segundo casamento, tinham uma família bem numerosa, como era timbre da época vitoriana.
O pai, o reverendo Baden-Powell, morreu em 1860 deixando Henriqueta, 20 anos mais jovem, com a responsabilidade de colocar os três irmãos do segundo casamento do marido e de educar os seus sete filhos, sendo que o mais velho tinha treze anos e o mais novo tinha apenas um mês. Robert (B.-P.) era o quinto e tinha três anos.

Robert, optou, após a conclusão dos estudos secundários, por não seguir a via académica em Oxford, optando pela vida militar no exército, o jovem alferes de cavalaria foi subindo na carreia, tomando parte em múltiplas campanhas militares. Em outubro de 1899, já coronel, foi enviado para a África do Sul com a missão de defender Mafeking impedindo o avanço do poderoso exercito bóer. A resistência foi difícil e ao 217º dia foi alcançada a vitória e esta teve repercussões imediatas na vida de B.-P.: foi promovido a general e projetou-o para a galeria dos heróis. Segundo o registo de Wiston Churchill: «Quando a notícia chegou a Inglaterra, as ruas de Londres tornaram-se intransitáveis devido à multidão. E o rio do patriótico entusiasmo londrino transformou-se numa onda de alegria esfusiante e quase infantil, delirante, inconcebível, como nunca mais se tornaria a ver até ao fim da primeira guerra mundial». Depois de uma recuperação, para curar as mazelas de combate, foi, em 1903, nomeado Inspetor-Geral da Cavalaria de Inglaterra e Irlanda, cargo de muito prestígio.

É nesta fase que William Smith, fundador das Boys Brigades, o desafia a escrever um artigo na gazeta desta organização a que Baden-Powell dá o título de Scouting for Boys, onde afirma: «Devemos ter bem clara na nossa mente a meta a que todo o educador quer levar os seus rapazes: ajudá-los a formar o caráter, a desenvolver neles o espírito de serviço em favor dos outros, a procurar torná-los bons cidadãos.»
A 29 de julho de 1907, B.-P. leva 20 rapazes, de diversas classes sociais, para a ilha de Brownsea, divide-os em quatro pequenos grupos de cinco e faz um pequeno acampamento de 10 dias, para testar o seu método. Na abertura faz a seguinte declaração: «A partir deste momento, as vossas esquadras tomam posse do campo. Tenho plena confiança em vós, pois apelo para a vossa honra. Não me obedecereis a mim, mas ao chefe que, em cada grupo, será eleito por vós». No final do acampamento, B.-P. retirou-se para verter para o seu esquema de livro os ensinamentos colhidos. Os seis fascículos do Scouting for Boys são publicados entre janeiro e março de 1908 e força do êxito em maio sai uma edição em um único volume.

O general do exército de sua majestade tornou-se o chefe dos escuteiros e esta sua segunda vida é bem mais explosiva do que a de militar, não por ter que fazer face a um exército, mas porque os grupos de escuteiros pululam, por toda a Inglaterra, pelo império e por muitos países reclamando a presença do Chefe, de tal forma que o Fundador dedicou-se em exclusividade ao movimento nascente e que hoje estão presentes em todo o mundo, exceto em cinco países, num total de 40 milhões de escuteiros e 10 milhões de guias.
Foi a disponibilidade para servir o próximo, sendo feliz no contribuir para a felicidade dos outros que projetou Baden-Powell como verdadeiro Cidadão do Mundo.
1Há biógrafos que dizem ser quatro e não três, optamos pela versão de Robert Bastin.

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