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Baden-Powell e Portugal (I)1

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Baden-Powell e Portugal (I)1

Escreve quem sabe

2019-02-22 às 06h00

Carlos Alberto Pereira Carlos Alberto Pereira

Hoje, dia 22 de fevereiro, comemorar-se-á, por todo o mundo escutista e guidista, o dia do Fundador, ou o dia do Pensamento, como se costuma dizer na associação das guias. Ao celebrarmos o 162º aniversário do seu nascimento e 112 anos depois de ter criado o movimento escutista, sem deixar de recordar que este movimento está espalhado pelo mundo inteiro e, de acordo com os dados da secretaria geral do escutismo, só em cinco países é que não há escutismo: Andorra, Cuba, Coreia do Norte, República Democrática do Laos e República Popular da China (embora aqui, graças ao sistema um país, dois regimes, nas suas duas regiões administrativas especiais, haja escutismo, tanto em Hong Kong como em Macau, onde uma das unidades é do Corpo Nacional de Escutas – Escutismo Católico Português).
Mas, nesta crónica, gostaria de partilhar a admiração que Baden-Powell tinha por Portugal e pelos portugueses, recorrendo a Robert Bastin, na biografia que fez do fundador do escutismo, consagrou como: “Baden-Powell Cidadão do Mundo”, utilizando a sua versão em língua portuguesa, editada pelo CNE, prefaciada pelo assistente nacional adjunto, o padre Ferreira da Silva.
Baden- Powell visitou Portugal, enquanto fundador e chefe mundial dos escuteiros três vezes, duas em Lisboa e a outra na Madeira, não tendo materializado uma visita, pensada, aos escuteiros dos Açores (S. Miguel).
A sua primeira visita, a Lisboa, realizou-se a 4 e 5 de março de 1929, B.-P. ao “Novidades” fez a seguinte declaração: «É a primeira vez que venho a Portugal. No entanto, tenho grande simpatia pelo seu país, cuja história conheço minuciosamente e respeito». No dia 5, mais de 700 escuteiros, representando as três associações AEP- Associação dos Escoteiros de Portugal, UAP- União dos Adueiros de Portugal e CNS-Corpo Nacional de Scouts, a representação dos escuteiros católicos (CNS) era composta por delegações de todas as dioceses onde já havia escutismo (Açores e Madeira – excluídas), tendo o Grupo 5 – Oficinas de São José de Braga, levado a sua banda de música que integrou o desfile com origem no Terreiro do Paço e se dirigiu à Sociedade de Geografia, onde decorreu uma sessão solene2.
No seu breve discurso Baden-Powell afirma3: «Estou encantado por me ver entre vós (...) aproveito a ocasião para dar 3 conselhos: 1º, que cumprissem sempre e em toda a parte a lei do scout; 2º, que se lembrassem que a sua pátria é um grande país e procurassem com o seu esforço torná-la ainda maior; 3º, que todos os escuteiros sejam amigos dos seus irmãos dos outros países, ao todo 48.
- Temos o dever de evitar a guerra entre os nossos irmãos...
- Vamos celebrar este ano um grande Jambori internacional em Inglaterra, onde conto receber 30.000 escuteiros de toda a parte do mundo.
- Quero ver ali os portugueses, que terão um lugar, de certo valioso, entre os seus irmãos...».
Nesse dia o fundador foi recebido, em Cascais, pelo Chefe de Estado, o general Carmona, que lhe fez a entrega das insígnias da Grã-Cruz de Cristo.
Ainda no dia 5, mas já no mar alto, Baden-Powell escreve uma carta aos escuteiros de Coimbra4: «Meus caros irmãos escuteiros de Coimbra: - Recebi hoje a vossa amabilíssima oferta de um álbum de fotografias, que me veio trazer a todos vós até junto de mim. Muito me alegro em poder verificar a união que viveis.
(...) Que no primeiro Jambori Internacional Escuteiro em Binkerkead, em Agosto próximo, possamos ver um contingente de escuteiros de Coimbra.»
Em 21 de janeiro de 1930, Baden-Powell, a bordo do “Alcântara”, atracou no Funchal, recebeu uma delegação dos escuteiros da Madeira com quem recordou a sua passagem por Lisboa no ano anterior. Depois visitou a sede regional onde se encontrou com um contingente de 150 scouts a quem dirigiu palavras de louvor e de estímulo.
A 12 de abril de 1934, o fundador visitou pela segunda e última vez Lisboa, mas pelo facto de estar doente, não pode desembarcar, dirigindo-se aos escuteiros e guias que se juntaram para ver de chefe mundial dos escuteiros com estas palavras: «Scouts irmãos, quero dizer-vos quanto sinto não ter podido desembarcar a visitar a vossa capital.
- Arranjei um médico muito ríspido e uma enfermeira que me faz cumprir as suas ordens. Não me permitiram ter o prazer de visitar-vos...
Quero agradecer-vos terdes vindo aqui para me verdes.
Há cerca de quatro meses que estou doente; é esta a primeira vez que visto o meu uniforme, para o poder apresentar aos escuteiros portugueses».

1Esta é a primeira crónica sob este título que corresponde ao que o padre Ferreira da Silva escolheu para o prefácio que escreveu para este livro. cfr. Bastin, Robert, Baden-Powell Cidadão do Mundo, 2ª edição, CNE, Lisboa, 1980, p. IX.
2Cfr. Salgado, padre Benjamim, Radiosa Floração, 1ª edição, CNE, Braga, 1948, pp. 48 e 49
3Bastin, Robert, Baden-Powell Cidadão do Mundo, 2ª edição, CNE, Lisboa, 1980, p. XVIII.
4Ibidem, p. XIX.

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