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Balanço anual

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Escreve quem sabe

2019-01-04 às 06h00

J.A. Oliveira Rocha J.A. Oliveira Rocha

Quando um ano chega ao fim impõe-se fazer um balanço do passado e definir os objetivos para o futuro, tendo em conta os acontecimentos do passado e as previsões.
A oposição insiste que o país de António Costa não existe, não é real e o balanço será necessariamente negativo. Não tanto assim, porque fatos indesmentíveis, como sejam, por exemplo, o emprego e o défice devem ser considerados fatos francamente positivos.
Quanto ao emprego, as coisas têm corrido francamente bem. A taxa de desemprego não chega a 7%, afastando-se dos 17.5% de 2013 e sendo a taxa de desemprego mais baixa deste século. Sendo certo que a maior parte do emprego criado tem caráter precário. Os dados da Segurança Social apontam para perto de um milhão de trabalhadores precários. Espera-se também uma aceleração da subida dos salários até 2020.
Outro facto político positivo de 2018 é a redução do défice que tudo aponta para o valor zero.

Existem, porém, acontecimentos no final de 2018 que ameaçam fazer de 2019 um ano turbulento, como sejam as greves. Muitas delas são extremamente agressivas e procuram gerar a insatisfação e a incerteza no seio dos cidadãos. Refiro-me às greves dos transportes, dos professores e dos enfermeiros. Os sindicatos, que se multiplicaram no último ano, querem fazer esquecer que houve uma Troika que reduziu drasticamente os rendimentos dos portugueses. E, estes rendimentos não são, no geral, recuperáveis. Por outro lado, o governo criou a ideia de que havíamos ultrapassado a fase de austeridade e que, portanto, era razoável pretender o nível de vida anterior à crise.
Esta política sindical de terra queimada pode destruir os equilíbrios salariais. Isto é, poderão conseguir mais não os mais aptos e bem preparados, mas aqueles que têm maior poder reivindicativo e que podem parar serviços essenciais para os cidadãos, como sejam a saúde, transportes e justiça.

E não se vê que o governo tenha condições para usar mecanismos como a requisição que a lei da greve lhe faculta. E porquê? Porque estamos em período de eleições e o eleitorado tem-se mostrado muito volátil. Não nos podemos esquecer que há sindicatos afetos à direita, à esquerda e independentes cujos objetivos são claramente políticos.
Outro ponto negativo é a fragilidade e ineficiência dos serviços públicos. Basta uma trovoada, ou uma ventania para ocorreram desastres. Em boa verdade, os serviços funcionam mal. Haverá muitas razões, como a falta de capacidade de gestão dos dirigentes, escolhidos com base em critérios partidários e de amiguismo e a falta de motivação e incentivos dos funcionários. Os salários não sobem, as carreiras estão congeladas há quase dez anos que o sistema de avaliação de desempenho ou é um faz de conta em muitas profissões, como o dos professores e dos magistrados, ou tem efeitos puramente negativos. Para fazer funcionar os serviços não chega a marmelada do simplex.

Outro fator explicativo do mau funcionamento dos serviços públicos é a falta de investimentos. Por exemplo, o serviço ferroviário há mais de dez anos que se vai deteriorando. É de admirar que não tenham havido descarrilamentos. Talvez porque os comboios demoram cada vez mais tempo a chegar ao destino.

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