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Balanço de 2015 e perspetivas para 2016

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Escreve quem sabe

2016-01-08 às 06h00

Rui Marques Rui Marques

Depois de três anos marcados por retração económica, que em boa parte decorreu das medidas de austeridade no âmbito da intervenção da ‘Troika’, em Portugal, o ano de 2015 encerrou com um balanço francamente positivo para os setores do comércio, turismo e serviços, nos concelhos da área de atuação da Associação Comercial de Braga.
As nossas projeções apontam para um crescimento global da atividade económica destes setores, nos 6 concelhos representados ACB, na ordem dos 7%. Com o setor do comércio a registar um crescimento de cerca de 7,5%, o setor do turismo a crescer cerca de 2%, a restauração com um aumento de 8% e os serviços a crescer aproximadamente 3%.

Naturalmente, este desempenho não é igual em todos os concelhos, destacando-se pela positiva os concelhos de Braga, Vila Verde e Póvoa de Lanhoso. Por outro lado, os concelhos de Amares, Vieira do Minho e Terras de Bouro registaram crescimentos mais ténues ou até estagnação económica.
O que é que justifica este crescimento?
Para as vendas no comércio de proximidade crescerem é preciso que, do lado da procura, se registem algumas alterações, tais como:
1 - Os consumidores regionais terem mais rendimento disponível;
2 - Os consumidores regionais terem mais confiança numa evolução favorável da economia e estarem, consequentemente, mais propensos ao consumo;
3 - Os consumidores regionais comprarem mais na própria região em detrimento de outros territórios;
4 - O número de visitantes externos ao território crescer, bem como o volume de compras por eles efetuado.

No caso, julgo que terá sido a conjugação dos últimos dois fatores que mais contribuiu para este desempenho. Ou seja, os consumidores regionais preferiram cada vez mais realizar as compras no seu território, em detrimento de outras localidades (tais como o Porto), e o volume de compras realizado por visitantes externos continuou a crescer a um ritmo superior a 10% ao ano, valor que se tem vindo a verificar nos últimos 4 anos. Do ponto de vista da confiança e do poder de compra, o dado mais significativo a registar tem a ver com a diminuição significativa do número de desempregados na nossa região, com Braga a registar a segunda maior diminuição desta taxa em toda a região Norte, segundo dados do IEFP.

Associado a estes fatores importa também realçar a evolução de algumas condicionantes do lado da oferta, nomeadamente, a existência de um maior número de empresas a operar no território, decorrente do saldo positivo entre aberturas e encerramentos de estabelecimentos, e a melhoria da promoção destes concelhos e das suas atividades económicas, constituindo Braga um excelente exemplo da cooperação público-privada na promoção do território e dos seus agentes económicos.

Que perspetivas e tendências para o setor em 2016?

Espera-se que 2016 seja o início de um novo ciclo de políticas de estímulo às atividades económicas, ao investimento, ao aumento do poder de compra das famílias e à criação de condições para inverter os níveis de desemprego, que se registam em Portugal.
As empresas do comércio e serviços devem equacionar novas modalidades e formas de venda, bem como ajustar a sua oferta às necessidades que advém do aumento dos fluxos turísticos na nossa região.

As principais tendências apontam para uma aposta na digitalização do negócio, sobretudo no setor do retalho, para o ajustamento da proposta de valor das empresas comerciais para um novo segmento de clientes (os visitantes e turistas) e também para uma procura crescente dos consumidores pela oferta dos centros das vilas e cidades (ambientes com identidade e autenticidade), em detrimento dos centros comerciais.

Neste sentido, perspetiva-se a consolidação e aceleração dos processos de recuperação económico do setor do comércio, num ambiente económico favorável à entrada de novos operadores nas mais diversas atividades.

Oxalá que o novo Governo alivie progressivamente a carga fiscal sobre as empresas, consagrando, entre outras medidas, a redução do IVA aplicável à restauração e que se mantenha a aposta na simplificação administrativa e na redução da burocracia em tudo o que respeita às empresas e atividades económicas.

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