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Banco de Portugal lança dois serviços para tornar os pagamentos mais seguros e convenientes

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Ideias

2024-06-05 às 06h00

José Manuel Cruz José Manuel Cruz

Soares é uma referência para Portugal. Miterrand era uma referência para Soares. Não tenho ideia de outro estadista ou político francês que tivesse sido tão invocado entre nós, isto porque a França não tenha gerado eventualmente nova figura de tal quilate, isto porque, certamente, tenha entrado em declínio como farol político, filosófico, literário.
Venho do tempo em que o francês era a primeira língua estrangeira, em que as universidades gaulesas, suíças ou belgas eram uma aspiração e garantia de valiosa carreira académica. A segunda metade dos anos 70 escaqueirou este paradigma. Direi que o lamento. Direi que não descreio de uma ressurreição. Direi que o espero, não obstante viver e trabalhar por cá, presenciando uma agonia que parece não ter fim.
A França sucumbe, quanto o não o iluda Macron e quem lhe obedece. Tem dias a degradação da notação da dívida francesa. Eu, como português, senti-me como quem acaba de ver o golo do Eder no Europeu – estabilizamos, nós, regridem, eles. Tem semanas o conflito na Nova Caledónia, e poucos milhares são os metropolitanos com vidas a um dia de avião de Paris, ou ter-se-ia por estes lados uma ponte aérea como a que conhecemos nos idos de 75. Agitam os franceses o espectro de Putin, posto que o dão por instigador e putativo beneficiário de sanha independentista.
Ele, ou o Xi, sendo que nos braços de uns ou de outros cairão os canaques, porque escala não tenham para total independência económica. E não, o meu posicionamento não releva de um neocolonialismo vergonhoso, e é ver como Portugal treme por falta de estalecas.
Os franceses da minha idade desfiam quatro décadas de depreciação. Os franceses de gema da idade dos meus filhos não manifestam grande esperança ou ilusão com a condução da coisa pública, a menos que Bardella encarne e prenuncie um ressurgimento. Bardella é o líder do Reagrupamento Nacional, o dito partido da extrema-direita. É da idade do nosso Bugalho e haverão de cruzar-se em Estrasburgo. Não sei se chegarão a fazer amizades, por muito que o Bugalho a reclame.
Não sei se Bardella se confirmará nas qualidades que indicia. Não sei se amadurecerá com brilho ou se sucumbirá à sua estrela. Não sei se algum dia um patrício se referirá a ele como «mon ami Bardella», à semelhança do dito similar de Soares, por referência a Miterrand.
Mas há o que sei, por desconto do que não saiba nem possa adivinhar. Sei, por exemplo, que em discurso de fundo se sussurra uma mudança eleitoral, imaginem, para que o RN não triplique a representação parlamentar. Quer a velha guarda francesa adoptar o método de Hondt, porque com o actual sistema o partido de Le Pen e Bardella arrisque atingir a maioria.
Isso o constato de 2014 para cá, de tal forma que o RN se consolida como um partido popular, mais do que populista, como um partido de adesão, mais do que de contestação, da classe trabalhadora, mais do que de uma ideia nefanda, de Valores e assente no Real, mais do que de narrativa e quimeras.
Em suma, um eleitorado que se aproxima dos 50% vê no RN o futuro da França, tanto como um corrector dos desvios de uma integração europeia que eu, com andanças de outras paragens, facilmente assimilo ao que de pior a sovietização criou.
Esperança que a nada se reduza, porque residual se revele o peso do RN no próximo parlamento europeu. Seguro parece, porém, que pouco exemplar seja o edifício que temos em estrutura e que em alargamento insensato se insista. Não há solda nem maçarico para tanta emenda. E o problema, mesmo, é que de anátemas se cubra quem o afirma.
NB Texto escrito sem suporte de IA.

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