Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Basta

O mito do roubo de trabalho

Ideias Políticas

2013-05-07 às 06h00

Pedro Sousa

As declarações políticas de Pedro Passos Coelho, na passada sexta-Feira, deixaram atónitos, mais uma vez, a grande maioria dos Portugueses.
O Primeiro Ministro de Portugal anunciou mais um conjunto de medidas de austeridade que não têm, de todo, em conta o contexto económico e social do país.

Ao longo de dois anos de Governo a Coligação que Governa o País insistiu na sua receita de austeridade musculada, para além do Memorando de Entendimento que assinamos com a Troika, reforçou mais e mais a receita em sete renegociações do memorando que assumiu sozinho, marginalizando o Partido Socialista e descurando o consenso.

Ao longo destes dois anos Pedro Passos Coelho fez tudo ao contrário do que prometeu aos Portugueses. Recordo, para o efeito, algumas das suas declarações em tempo de campanha eleitoral: “Não aumentaremos os impostos”, “Não se pode gerir um país sem crescimento“, “Não privatizaremos ao desbarato para arranjar dinheiro para tapar o défice”, “A solução deve vir do corte da despesa e não do aumento da receita fiscal”, “Não contarão comigo para mais ataques à classe média“, “Não basta austeridade e cortar cegamente”, “Não se pode atacar os alicerces básicos do Estado Social”, “Acabar com o 13º mês é um disparate”, “O IVA não é para subir”, “Nunca iremos dizer que desconhecíamos a realidade… nós temos noção de como as coisas estão.
Passos Coelho encarregou-se de fazer tábua rasa não de uma, nem de duas, nem de três destas promessas, destes compromissos. Passos Coelho e a coligação PSD-CDS fizeram tábua rasa de todas estas promessas, de todos estes compromissos.

Do compromisso de colocar as contas públicas em ordem dois terços pela via da contenção na despesa, as famosas gorduras e, apenas, um terço pela via da receita assistimos a políticas que fizeram exactamente o seu contrário. O maior sufoco fiscal, a maior asfixia de impostos de que há memória em Portugal e o consequente definhamento de uma economia já de si frágil, o desemprego a crescer descontroladamente, a dívida a aumentar semana após semana e o horizonte, que nos diziam ser de esperança, tem-se revelado cada vez mais escuro, sombrio e tenebroso.

Estes dois anos demonstram-nos, claramente, que a receita do Governo é errada. É hoje um lugar comum, ainda que com dois anos de atraso, dizer-se que mais austeridade não pode ser o caminho, que não podemos continuar a asfixiar a economia, a desvalorizar o factor trabalho e a destruir emprego.
O Governo está perdido, sem liderança, sem horizonte. O Governo segue para Sul quando todo o País grita, desesperado, que o caminho é para Norte.

Foi neste contexto que Pedro Passos Coelho veio, na passada Sexta-Feira, falar ao País. Quando deveríamos esperar a assunção dos erros cometidos até aqui e o anunciar de uma viragem, de um novo rumo, eis que o Primeiro Ministro de Portugal insiste na sua receita, na sua visão do Mundo e descarregou Mais um sem fim de medidas sobre os mais fracos, sobre os funcionários públicos e sobre os pensionistas. Anunciou despedimentos, trinta mil. Vociferou contra o contexto que diz ser desfavorável para as grande mudanças que o Governo se propõe fazer e, mais grave que tudo resto, não falou nenhuma vez de desemprego. Tudo isto na mesma semana em que ficou latente que existem fracturas profundas dentro do próprio Governo e que Vítor Gaspar, o ideólogo maior desta Governação ultraliberal, disse em tom de nojo, desvalorizando a Democracia, o Povo e as suas escolhas que “...não fui eleito coisíssima nenhuma”.

Sou, por princípio, a favor da estabilidade,. Defendo e defendi, sempre, que as legislaturas são para cumprir até ao fim mas ao cabo de dois anos e perante tantos dislates, perante tanto experimentalismo feito à custa do sofrimento de milhões de Portugueses, perante tanta incapacidade para aprender com os erros acho que é altura do País se pronunciar, novamente, em eleições. É preciso mudar e para isso falta, apenas, que Cavaco Silva deixe de ser o guardião do Governo e se lembre que é Presidente da República.

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