Correio do Minho

Braga, quarta-feira

- +

Bem-estar dos portugueses melhorou?

Mitos na doença mental

Ideias

2017-11-25 às 06h00

António Ferraz António Ferraz

No passado mês de Novembro o Instituto Nacional de Estatística (INE) publicou a sua mais recente edição do “Índice de Bem-Estar” (IBE) da população portuguesa entre os anos de 2004 e 2016. Da leitura do documento podemos concluir que no período em causa há um crescimento do IBE dos portugueses, à excepção do ano de 2012. Em 2016 (fonte: PORDATA) terá atingido mesmo o seu valor mais alto desde 2004 com um índice de 123,7% (Base: 2004=100). Mas o que é o IBE? É um índice compósito abrangendo dois indicadores chave para compreender a evolução do nível de bem-estar de uma população. Primeiro indicador, as “Condições Materiais de Vida” (CMV): bem-estar económico, vulnerabilidade económica e remuneração; segundo indicador a “Qualidade de Vida” (QV): saúde, educação, segurança pessoal, participação cívica e governação, relações sociais e bem-estar subjectivo e ambiente. Podemos verificar ainda que no período em causa as CMV e a QV evoluíram em sentido contrário, com o primeiro a revelar uma pioria e o segundo uma melhoria. Porém, a partir de 2013 ambos indicadores passam a apresentar evoluções favoráveis.
Vejamos agora a evolução cada dos indicadores de bem-estar:
(I) As “Condições Materiais de Vida (CMV) -
(a) O “Bem-estar económico” evoluiu positivamente até ao início da crise económica e financeira de 2008 e apenas voltou a recuperar a partir de 2012. Este facto deveu-se a evolução dos recursos económicos das famílias, que subiu 10 pontos percentuais até 2009, contudo, esse aumento foi anulado entre 2010 e 2012 (fase de austeridade excessiva) e, apenas em 2014 assiste-se a uma recuperação ligeira dos recursos económicos das famílias;
(b) A “Vulnerabilidade económica” tem uma evolução em geral desfavorável, (atingindo um mínimo no ano de 2013), devido a subida significativa do desemprego e aos elevados níveis de endividamento das famílias, nomeadamente no crédito à habitação;
(c) O “Trabalho e remuneração” é, por sua vez, a componente do nível de bem-estar que registou maior deterioração, fruto do desemprego elevado e de outros factores com ele conectados e que se agudizou a partir de 2009. Contudo, desde 2012, assiste-se a uma tendência de inversão, isto é, de melhoria, inicialmente ligeira e depois de 2015 de uma forma mais acentuada.
(II) A Qualidade de Vida” -
(a) A “Pobreza monetária” depois de se ter agravado muito nos anos de crise económica e financeira (até 2011, a taxa de risco de pobreza aumentou 8,4%), apresenta nos últimos anos alguma atenuação, o que não deixa de ser positivo;
(b) A “Saúde” tem vindo a evoluir favoravelmente desde 2004, tendo sido mesmo de 22,6% as opiniões positivas dos utentes quanto a qualidade aos serviços prestados entre 2004 e 2014;
(c) O indicador “Conciliação entre o tempo dedicado ao trabalho e a vida social” é um dos pontos que tem tido uma evolução muito positiva em termos de bem-estar dos portugueses;
(d) A “educação, conhecimento e competências”, por sua vez, é o ponto que mais contribuiu para o aumento da qualidade de vida em Portugal, destacando-se o crescimento das publicações científicas e doutoramentos (11,2% por cem habitantes são doutorados);
(e) A “participação cívica e governação”, foi o ponto com evolução negativa até 2010, passando, entretanto, a ser positiva desde 2011, nomeadamente nos aspectos participação da população em actividades públicas e interesse pela política;
(f) A “criminalidade” apresenta uma pioria com o aumento da taxa de criminalidade o que fez baixar a confiança dos portugueses nas autoridades policiais, porém, desde 2014 este cenário inverteu-se.
Assim, no período em estudo de 2004 e 2015 verifica-se um aumento geral e progressivo do nível de bem-estar dos portugueses, com maior relevância para o indicador “qualidade de vida” (QV) e algo menos para o indicador “condições materiais de vida” (CMV). Sendo assim é de todo adequado que agora a governação portuguesa adopte políticas públicas que sem esquecer a continuidade da evolução favorável do indicador CQV, aposte algo mais na melhoria do indicador QV dos portugueses, sobretudo quanto ao bem-estar económico, vulnerabilidade económica e remuneração dos portugueses.
Por fim, uma nota adicional: foi recentemente publicado o documento “2017 Social Progress Index” (fonte: Social Progress Imperative, uma organização mundial sem fins lucrativos) que analisa 50 indicadores do índice de bem-estar das populações numa amostra de 128 países e para o no período 2014 e 2017.
Desse estudo podemos extrair os seguintes factos:
(a) Há uma tendência geral para melhoria da qualidade de vida das populações no mundo;
(b) Em Portugal essa melhoria também acontece com o seu índice de bem-estar ocupando a 20ª posição do “ranking”, destacando-se favoravelmente os quesitos: saneamento básico, nutrição e cuidados médicos, acesso à informação e direitos humanos. Menos bem, porém, estão os quesitos acesso a uma educação mais “avançada”, inclusão, liberdade pessoal e de escolha de bem-estar.

Deixa o teu comentário

Últimas Ideias

Usamos cookies para melhorar a experiência de navegação no nosso website. Ao continuar está a aceitar a política de cookies.

Registe-se ou faça login

Com a sessão iniciada poderá fazer download do jornal e poderá escolher a frequência com que recebe a nossa newsletter.




A 1ª página é sua personalize-a

Escolha as categorias que farão parte da sua página inicial.

Continuará a ver as manchetes com maior destaque.