Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Bem-vindos à Universidade!

Quem me dera voltar a ser Criança

Ideias

2010-09-19 às 06h00

Felisbela Lopes Felisbela Lopes

Começa amanhã um novo ano académico na Universidade do Minho, onde eu trabalho. O dia será dedicado ao acolhimento dos que chegam. Há 16 anos que participo nessas sessões de boas-vindas. Ali estão eles, os novos estudantes, com toda a expectativa. Olhando-os, penso invariavelmente o seguinte: que a Universidade do Minho seja para cada um a casa do saber e que cada um aprenda, pelo menos, isto: a pensar bem.

Felizmente não tenho aquilo que, para alguns professores, constitui um grave problema: aulas barulhentas, alunos indisciplinados. Cada aula corre normalmente bem, mas, ao longo do semestre, reitero aos meus alunos esta advertência: “quando saírem pela porta desta sala devem saber mais do que aquilo que sabiam quando por lá entraram. De outro modo, não terá valido a pena virem às aulas. Já repararam que deixam aqui muitas horas da vossa vida e que isso é algo que nunca recuperarão?... Então estes momentos têm de valer a pena, não acham?”.

Digo sempre isto com a minha maior determinação. Porque acho que muitas vezes esquecemos de dizer o essencial aos nossos alunos. É importante que cada um se consciencialize de que o tempo que passa na universidade é inestimável. Aprendi isso há 20 anos, quando iniciava o meu curso na UMinho.

Tive o privilégio de fazer a licenciatura, trabalhando ao mesmo tempo no “Público”. Cada aula era sempre uma grande oportunidade de aprendizagem que eu me esforçava por ver traduzida no meu trabalho quotidiano como jornalista num jornal feito todos os dias por um grupo de seniores e por outro de gente muito jovem. “Não podes falhar nada. Aqui, no ‘Público’, temos de ser os melhores. Todos os dias é preciso fazer o melhor jornal do país’. Ouvi estas frases muitas vezes e esforçava-me sempre por pô-las em prática: não falhar, procurando sempre alguma distinção. É também isso que a Universidade deve ser: uma instituição que fomente a vontade de, permanentemente, nos suplantarmos, de fazermos melhor, de irmos mais além…

Por estes dias, o meu trabalho da Reitoria concentra-se, sobretudo, em duas iniciativas: o dia de acolhimento que decorre amanhã e a segunda sessão dos Encontros UM que traz, no final da tarde de 4ª feira, à Universidade do Minho, o ex-Presidente da República Portuguesa Mário Soares; Francisco Pinto Balsemão, Presidente do Conselho de Administração do Grupo Impresa; João Aguiar Campos, Presidente do Conselho de Gerência do Grupo Renascença; e Artur Santos Silva, Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República.

Sentados no Salão Nobre da Reitoria, todos irão falar à volta deste tema “República 100 anos depois: que identidade?”. É claro que as abordagens poderão ser múltiplas: políticas, económicas, sociais, culturais… Mas cada um de nós pode ir perspectivando aquilo que foi/é a República a partir da sua esfera individual.

A partir de cada microambiente por onde circulamos, cada um de nós também constrói a ‘coisa pública’, contribuindo à sua maneira para a qualidade da cidadania que temos e, por arrastamento, para o tipo de democracia em que vivemos. E não será a Universidade o espaço privilegiado para criar a tal cidadania de alta intensidade que tanta falta faz? Afinal, ando a trabalhar na preparação de dois eventos que não são nada disjuntos. Pelo contrário.

Amanhã de manhã, cada director de curso da Universidade do Minho dará as boas-vindas aos seus alunos. À tarde, o Reitor fará isso, dirigindo-se a todos os alunos, reservando um espaço particular a partir das 19h00 para quem ingressou este ano nos cursos pós-laborais.

À entrada dos campi, está um outdoor que diz: “bem-vindo ao mundo do conhecimento”. Esta foi uma frase ponderada. Queremos dizer a cada um dos estudantes que é nosso propósito recebê-lo da melhor forma neste universo do conhecimento que, como ensina o étimo da palavra, é sempre um processo “com”.

É difícil aprender sozinho. È difícil tornarmo-nos competitivos, se nos constituirmos enquanto ilhas. Na tela, vêem-se caras diversas: homens, mulheres, estrangeiros, portugueses, jovens, adultos. É com todos que queremos ser uma universidade de referência em diversos campos do saber.

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