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Bibliotecas comunitárias

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Bibliotecas comunitárias

Voz às Bibliotecas

2021-04-15 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

Hoje partilho com os leitores deste jornal o conceito de bibliotecas comunitárias, espaços nos quais se realizam experiências de leitura e de partilha de saberes, que têm o condão de transformar a comunidade local e de a transformar.
Uma comunidade pode ser entendida como um grupo de pessoas que convivem numa mesma área territorial e que com- partilham condições de vida semelhantes. Porém, embora a localização seja uma característica necessária de uma comunidade, o que garante sua existência é a partilha de experiências e os modos de vida que promovam uma certa coesão social. Essa coesão confere aos seus membros um sentimento de responsabilidade, comprometimento e partilha que, movidos pelas relações familiares e de vizinhança essencialmente orgânicas e intuitivas, saem em busca de objetivos comuns.
Dessa forma, as bibliotecas comunitárias são espaços que surgem da iniciativa popular, em reivindicação à escassez de espaços culturais e bibliotecas públicas na proximidade do território. Ainda atuam como uma forma de afastamento dos jovens das diversas situações de violência e vulnerabilidade social.
As bibliotecas comunitárias apresentam-se como uma nova tipologia de bibliotecas de pequena dimensão. Localizam-se nas regiões e bairros periféricos dos grandes centros urbanos e objetivam suprir necessidades de informação, cultura e lazer dos grupos sociais ali existentes. Embora sejam espaços públicos de informação, são sustentadas por pessoas da sociedade em geral. Elas instituem-se como locais que objetivam ser espaços de leitura, cultura e acesso à informação de sujeitos que, na maioria das vezes, não dispõem de outros espaços destinados a essas atividades. Estes espaços estão representados por centros culturais, postos de serviços ao cidadão, espaços de diversão e arte, bibliotecas de junta, entre outros.
Tais bibliotecas, podem também ser planeadas como espaços de leitura que surgiram por iniciativa das comunidades e são geridos por elas, ou ainda aqueles espaços que, embora não tenham sido iniciativas das próprias comunidades, se voltem para atendê-las. São locais que preservam a sua natureza de uso público e comunitário na sua essência, tendo como princípio fundamental a participação do público nos processos decisórios e avaliativos.
As bibliotecas comunitárias podem ainda ser consideradas uma “instituição de memória e de interação de práticas de aprendizagens e de mudanças sociais”. São formas de organização social, criadas para a produção e troca e registo de conhecimentos locais, gerando, a partir disso, uma memória social local. Objetivam a democratização do acesso à cultura, incentivo à educação e promoção à cidadania.
Quanto aos serviços oferecidos pelos centros comunitários, os principais são: espaço para leitura; empréstimos de livros e outros materiais; apoio nas pesquisas e tarefas escolares; reunião de grupos organizados; ensaios de música e dança; mediação de leitura para crianças e atividades culturais em geral. Também poderá proporcionar atividades culturais e de lazer, como exibição de filmes e desenhos animados; concursos de escrita; narração de histórias e oficinas de teatro. Estes espaços podem ainda oferecer diversos cursos de aperfeiçoamento para cidadãos.
A diversificação de serviços e atividades nas bibliotecas comunitárias e espaços públicos de informação é uma forma de atrair os diversos grupos de moradores e valorizar a comunidade, na medida em que se promove a integração social e reafirma valores sociais compartilhados no meio. Tanto os espaços públicos de informação como as bibliotecas comunitárias mostram-se instrumentos transformadores do contexto ao qual estão inseridos, contribuindo para o desenvolvimento sociocultural dos indivíduos. Estas iniciativas inclusivas são a demanda da população e uma resposta da própria comunidade que demonstra reconhecer o poder construtivo da informação.
As bibliotecas comunitárias assumem um importante valor social junto do território. Deixo-vos o desafio de procurarem junto da vossa freguesia a possibilidade de ser criado um espaço cultural e social, onde a leitura e a partilha de saberes sejam o enfoque principal. A biblioteca de leitura pública do seu concelho será sempre um dos melhores parceiros na criação de dinâmicas.

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