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Bibliotecas verdes

Criado... não aceita mau destino

Bibliotecas verdes

Voz às Bibliotecas

2020-01-23 às 06h00

Aida Alves Aida Alves

A melhoria da qualidade de vida no planeta está associada diretamente à implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento sustentável. É impor- tante sensibilizar e envolver os bibliotecários nas questões ligadas ao meio ambiente, para que possam, juntamente com as administrações central e local, desenvolver macro estratégias que passam por conceber as bibliotecas como espaços culturais públicos verdes, com edifícios sustentáveis, design, arquitetura, equipamentos, gestão de recursos naturais e ambientais, políticas de reciclagem, bem como exercerem ações de educação ambiental junto da comunidade. É importante que se vá consolidando um novo conceito de biblioteca verde, green library, amiga do ambiente, com práticas sustentáveis no território.
Pequenos detalhes são muito importantes para garantir um projeto de biblioteca verde, desde aspetos de construção, tais como a instalação de painéis solares e sistema de iluminação com lâmpadas LED. A opção por lâmpadas de Light Emitting Diode (LED) também é recomendada, pois duram mais e gastam menos energia que as fluorescentes frias. A escolha da tinta, a qual deve ser, preferencialmente, à base de latex ao invés de óleo. Em relação à cor das paredes, a escolha de uma tinta clara é importante, pois reflete o calor do sol e faz o espaço ficar mais claro durante o dia, reduzindo a necessidade de luz artificial. Na hora de comprar equipamentos novos para a instituição, é importante optar por soluções ecológicas, que consomem menos energia ou recursos. Ter em atenção as aquisições de materiais e mobiliário, ferramentas de limpeza, bem como o ritmo do seu consumo e desgaste. É possível evitar o desperdício de material, evitando a circulação de papel e a impressão de documentos (desmaterialização dos processos), por exemplo. O papel pode ser reutilizado pelos utilizadores das bibliotecas, em mesas de estudo. Incentivar a aquisição e disponibilização de publicações digitais, evitando sempre que possível a impressão de cópias. Outra questão importante é quando há expurgo de publicações do acervo da biblioteca, estas devem ser reutilizadas ou recicladas. A gestão e separação dos resíduos é uma prática a aplicar também nas bibliotecas, assim como a diminuição do consumo da água. A aplicação da gestão ambiental no ambiente de trabalho, além de despertar a curiosidade de quem frequenta a biblioteca, servirá como exemplo de comportamentos ecologicamente corretos.
Pequenas mudanças de hábito de consumo e de comportamento são realmente relevantes para a conservação do meio ambiente e para obter um desenvolvimento sustentável. Dessa forma, cabe lembrar a regra dos cinco ‘R’, antes de deitar algo fora: reduza, reuse, recicle, respeite e responsabilize. A reciclagem pode ajudar até mesmo na arrecadação de dinheiro para compra de livros, ou na manutenção da biblioteca. Outras pequenas mudanças de hábito, como apagar a luz e desligar o ar condicionado no final do expediente (ou rever a programação do AVAC), ou, ainda, não deixar portas e janelas abertas quando o ar estiver ligado, com certeza colaboram para economizar energia. Nesse mesmo sentido, é possível utilizar escadas ao invés de elevadores, o que, além de respeitar o meio ambiente, também é uma forma exercitar-se.
Para a biblioteca se tornar sustentável, há que pensá-la como espaço para ações de educação ambiental, contemplando programas e projetos voltados para a conscientização da comunidade e de seus utilizadores. Os profissionais de biblioteca devem contribuir de forma ativa para o desenvolvimento sustentável da comunidade envolvente, difundindo documentação ambiental e colocando em prática as suas competências de mediador da informação e de educador (ambiental). As atividades de mediação de leitura podem dar bons resultados no que diz respeito ao despertar da consciência ambiental junto dos participantes, assim como a promoção de eventos sobre a temática ambiental, tais como: palestras, debates, oficinas, exposições, concursos, entre outros.
A questão do desenvolvimento sustentável e ambiental é uma preocupação global que envolve todos os atores do território. Todos se devem mobilizar na identificação de soluções sustentáveis.
[…] Tudo que sei é ela que me ensina.
O que saberei, o que não saberei nunca,
está na Biblioteca em verde murmúrio
de flauta-percalina eternamente.”
(Carlos Drummond de Andrade)

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