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Bolsa e empregabilidade

Plano de Desenvolvimento Pessoal, Social e Comunitário da ESMS

Bolsa e empregabilidade

Ideias

2020-09-28 às 06h00

Álvaro Moreira da Silva Álvaro Moreira da Silva

No contexto da atual pandemia, e como era expectável, os índices de emprego, remuneração e horas trabalhadas, relativas ao comércio a retalho, desceram nos últimos meses, acompanhando a tendência geral, na indústria e no comércio. No entanto, a par da eletrónica de consumo e dos seguros, o retalho aparenta ser dos setores mais resilientes, mobilizando técnicos comerciais, gerentes de loja ou operadores de caixa, entre outros relevantes. São altamente ativas as marcas Sonae Distribuição (21%), Jerónimo Martins (16%), Intermarché (11%), Auchan (9%), Lidl (8%), Mini Preço (5%) e outras mais pequenas.

Em abril de 2020, no auge da pandemia, a Amazon surgia como a marca de retalho mais valiosa do mundo (200 mil milhões de dólares), seguida da Walmart. Ambas progrediram em bolsa, no espaço de um ano, acima dos dois dígitos. O que sucedeu, entretanto, em Portugal, e de que forma a evolução em bolsa das empresas Sonae Distribuição e Jerónimo Martins implica movimentos no grau de empregabilidade? No momento em que escrevo este artigo, as ações da Sonae e da Jerónimo Martins valem, respetivamente, 0,571 e 13,81 euros, o que equivale a uma diferença, negativa, de 0,274 e 1,97 euros relativamente à mesma data do ano passado. A política de dividendos das duas empresas é diferenciada, oferecendo a Sonae SGPS um dos mais altos dividendos do PSI 20 português, uma yield aproximada de 7%, que, num contexto de baixíssimos juros de depósitos a prazo ou de certificados de aforro, não deixa de ser apetitosa. Sendo assim, porque caem as duas ações em bolsa? Presumivelmente, por toda a situação pandémica atual e pela previsão de um futuro económico algo sombrio.

Os dados e as previsões das duas empresas não são, no entanto, tão negativas. Na sua informação sobre os resultados do primeiro semestre de 2020, fala a Sonae SGPS de um «sólido desempenho de negócio em circunstâncias muito excecionais». E mais diz que «a tendência de vendas melhorou progressivamente desde o início de 2020, e uma vez mais no segundo trimestre, resultando num aumento da quota de mercado e reforçando ainda mais a nossa posição de liderança». Num ambiente de altíssima pressão psicológica, o que pedem entidades empregadoras deste tipo aos seus trabalhadores e a outros a contratar? Que competências são solicitadas num movimento de mudança vertiginoso, em que se tende a desvalorizar o conhecimento anterior, específico, e a valorizar todo um conjunto de competências transversais, que passam pelo conhecimento da própria tarefa, pela motivação e liderança, pelas características psicológicas individuais, pelo grau de flexibilidade e estabilidade, pela capacidade de socialização e pela abertura ao futuro, que implica, irreversivelmente, conhecimento técnico de hardware e software informático? Empresas como a Sonae SGPS ou a Jerónimo Martins necessitam de trabalhadores visíveis (caixas, organizadores de produtos), mas, também, de pensadores, de arquitetos de organizações, que antecipem o futuro e contribuam fortemente para o desenvolvimento sistémico e do capital humano.

A relação entre a realização bolsista e a empregabilidade no retalho parece estabelecer-se, curiosamente, do mais para o menos. Quanto menor for o valor visível de uma ação, maior será o esforço necessário para recuperar e vencer etapas. Uma empresa tem de mostrar valor e de dá-lo, porventura em dividendos, aos seus acionistas. Procurar talentos e trabalhadores altamente formados e motivados é, para si, vital. Quem procura emprego num contexto tão difícil sabe o que tem de fazer, conhece bem os requisitos exigidos, só tem de se formar em conformidade. Parece fácil, mas é bem difícil, convenhamos.

*com JMS

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