Correio do Minho

Braga, quarta-feira

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Bons Desafios

As Bibliotecas e a preservação dos jornais

Ideias

2015-06-30 às 06h00

Analisa Candeias Analisa Candeias

Retomando o final do ano letivo para diversas e diferentes gerações, ficam os novos desafios. É um retomar que surge de ano a ano, mas que acontece de forma natural, sendo induzido por um calor que nos sugere a preguiça e a vontade de ir ficando. Estes finais surgem igualmente de acordo com os novos começos, com as novas perspetivas, com os novos conhecimentos. É a altura de estarmos juntos, sermos mais relação, estabelecermos maiores intimidades. O ano letivo conduz-nos a novas experiências, finalizadas pelo início de novas etapas.

São diferentes os desafios para as diferentes gerações. Para uns basta o desafio de um novo festival, ou começar a trabalhar pela primeira vez, mas para muitos outros os desafios contam-se como grandes empreitadas, como articular as equipas de acordo com o período de férias, estudar para o tão ansiado exame que possibilita o término de um curso ou começar uma nova vida num outro país - sendo este último ainda muito presente e incentivado, emboras as más-línguas continuem a negá-lo… Todavia, são desafios que estão presentes, existem, são vivos. Sejam eles quais forem nas nossas vidas, temos que os abraçar e dar-lhes o devido valor.

São os desafios que nos movem, que nos impelem, que nos direcionam muitas vezes o caminho. E há que aceitá-los, seja a nível pessoal, profissional ou até emocional. Ao aprendermos a aceitar os desafios que surgem - por vezes intempestivamente - nas nossas vidas aprendemos igualmente a relativizar, procurando esse equilíbrio (que tanto é falado!) que nos permite o bem-estar e a segurança do que somos. Todos nós, os próprios, somos desafios, diários e constantes, necessários de serem ultrapassados, percebidos ou quiçá ignorados. São mecanismos internos de controlo, individuais pela especificidade única de cada um e merecem toda atenção que lhes seja possível dar - permitem-nos uma maior e melhor audição do eu interior.

Existem igualmente dualidades. E tal como estas dualidades, existem os bons e os menos bons desafios, e a sua identificação, que poderá funcionar como uma alavanca para o caminho referido. Os bons desafios são difíceis, morosos, delicados - tudo aquilo que se coloca na antítese do pensamento que nos surge quando mencionada a palavra “bom”. Todavia são recompensantes, após a sua escalada. Tendo o hábito de passear por montanhas e serras, sei que o final da escalada e do percurso é sempre mais interessante, tanto pelo descanso como pela paisagem.

Sentarmo-nos numa rocha, sentir o vento e o cheiro da natureza, atingir o horizonte. Por vezes esquecemo-nos de desfrutar destes momentos de descanso e das paisagens interiores que se constroem, sendo difícil alcançar os nossos próprios horizontes, tanto pelas múltiplas tarefas do dia-a-dia como pela abstração pelo supérfluo e contínuo.
E igualmente nos esquecemos que os desafios mais difíceis são os bons desafios. Aqueles nos permitem aumentar de tamanho sem sair do espaço em que estamos habituados a viver, aqueles que nos obrigam a desenvolver ferramentas para fazer frente aos reptos exigentes que vão surgindo. E os que nos ajudam a dar valor às paisagens que vamos encontrando nos diferentes percursos.

Os desafios menos bons ajudam-nos a estar alertas, despertos no lidar dos dias que passam. São desafios fundamentais para um treino que se quer diário, quase como aquela caminhada que se deve realizar após as refeições. São desafios rotineiros, às vezes cansativos, e temos tendência para os esquecer, subvalorizar. Mas importantes, verdeiros e que permitem fundamentalmente a criação dos pequenos momentos de sobrevivência, que nos permitem ver o quão importante é estarmos aqui.

São novas etapas que se iniciam nos próximos tempos. São etapas diferentes, de valor e ação essencial para o estabelecimento de um eu interior melhorado e mais equilibrado. Somos nós, todos aqueles que vivemos, que nos preparamos para estes diferentes começos e que procuramos uma plenitude que nos ajuda à saúde, à manutenção ou até apenas à sobrevivência.

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