Correio do Minho

Braga, segunda-feira

Braga merece melhor

Uma ideia de humano sem história e sem pensamento?

Ideias Políticas

2016-01-19 às 06h00

Pedro Sousa

Pela amostra das primeiras três semanas, o ano que ainda há pouco se iniciou, pode muito bem ser um “annus horribilis” para o Dr. Ricardo Rio, Presidente da Câmara Municipal de Braga.
Se os primeiros quase dois anos e meio de mandato do actual Presidente da Câmara deixaram, a todos aqueles que lhe confiaram o seu voto, um amargo de boca por não verem uma acção política estruturada, clarividente, ambiciosa e capaz de manter a trajectória de valorização, qualificação e desenvolvimento que, ainda que com erros à mistura, o Concelho de Braga conheceu nos anteriores trinta e sete anos de poder local democrático, perdendo-se, “a contrario”, em processos de intenções e numa permanente e bacoca correria mediática que, todos os dias, procura encher as páginas dos jornais locais, numa intoxicação que, hoje em dia, começa já a cansar alguns dos seus mais fervorosos e indefectíveis apoiantes.
Mas vamos a factos e ao porquê de começar o artigo de hoje dizendo que o novo ano que ainda há dias abraçamos começou de forma muito infeliz e errática para Ricardo Rio;

1) Durante os quase dez anos em que liderou a oposição no Concelho de Braga, todos nos recordamos da forma virulenta, enérgica e inflexível com que Ricardo Rio, por variadas vezes, defendeu a necessidade de os poderes políticos, nomeadamente o anterior executivo municipal, usar de uma maior lisura e transparência na gestão da coisa pública. Por tê-lo feito tantas e tão repetidas vezes, a recente decisão (em sede de Executivo Municipal e usando da sua maioria absoluta) de concentrar em si e de por sua única e exclusiva vontade, poder, sob a capa da suposta agilização do processo decisório municipal, fazer negócios até 750 mil €uros, “usurpando”, através desta artimanha política, a capacidade do restante executivo municipal, nomeadamente, os Vereadores do PS e da CDU, poderem cumprir, em pleno, as funções de escrutínio para as quais os Bracarenses claramente os mandataram no passado dia 29 de Setembro de 2013. Convenhamos que tal decisão diz muito sobre a coerência de quem tanto pregou a necessidade da transparência da “res publica* mas que, ao fim de tão pouco tempo, se cansou de a praticar;

2) Ao longo do ano que passou, o Dr. Ricardo Rio, em mais um mediático anúncio, divulgou dados e números que procuravam demonstrar que o Theatro Circo, em particular e a cultura, em geral, tinham, no Concelho de Braga e com o executivo que lidera, ganho um novo “elan”, um novo impulso, um novo dinamismo. Pois bem, desta feita foi o insuspeito INE, o Instituto Nacional de Estatística, veio de forma clara e distinta para todos dizer que “A Câmara Municipal de Braga não gastou um único euro na criação de novos investimentos na cultura e foi um dos municípios do Norte que menos dinheiro afetou para a realização de atividades culturais e criativas”. O estudo do INE diz, ainda, mais algumas coisas que convém reter. Cito para manter o rigor do INE: “Na área do desporto, a “terceira cidade” do país foi também muito pouco generosa, tendo afeto pouco mais de um milhão de euros ao setor, verba que foi integralmente canalizada para as coletividades desportivas”.
O estudo do INE refere, ainda, que “...o baixo investimento realizado no campo cultural colocou o Município de Braga na décima quarta posição do ranking minhoto: Arcos de Valdevez, Caminha, Monção, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Viana do Castelo, Barcelos, Esposende, Celorico de Basto, Fafe, Guimarães, Póvoa de Lanhoso, Vila Nova de Famalicão e Vila Verde reservaram para a cultura verbas muito superiores às de Braga”. Factual, é que este estudo deve fazer corar de vergonha a Câmara de Braga e o seu Presidente e deixa, mais uma vez, a nu que a (suposta) aposta robusta na Cultura e no Desporto da parte deste Executivo Municipal é mais uma mentira bem urdida;

3) A fechar, mais um caso a revelar a incompetência e a casmurrice política do Dr. Ricardo Rio. Desde há vários anos que o PS-Braga vem dizendo que o Theatro Circo deveria, em termos legais, usufruir da equiparação ao estatuto dos Teatros Nacionais que, em várias matérias, nomeadamente em termos fiscais e de gestão, postula um quadro de algumas vantagens em favor destes equipamentos. Apesar disso e desde que foi eleito, Ricardo Rio foi incapaz de enfrentar o seu Governo, reclamando, como devia, da alteração da lei que possibilite melhores condições para o desenvolvimento do trabalho do Theatro Circo. Esta conivência política com o Governo do PSD e do CDS, seus “compagnons de route”, em claro prejuízo de Braga e dos Bracarenses, prolongou-se por mais de dois anos. De pasmar, é que ao fim de todo este tempo e após ter negado, sucessivamente, a utilidade da solução que o PS, desde a primeira hora, preconizou para este situação, Ricardo Rio, após a mudança do Governo da República, percebeu que já podia voltar ao terreno da luta política e, vai daí, começou a envidar esforços para resolver esta questão junto do Governo do PS usando, para isso, da proposta do PS-Braga que durante dois anos acusou de ser uma proposta sem nenhuma utilidade. Com a sua teimosia, Ricardo Rio onerou o Theatro Circo em muitíssimos milhares de euros em impostos e, mais uma vez, prejudicou sobremaneira Braga e os Bracarenses.
Braga merece mais e melhor e são cada vez mais aqueles que, dia após dia, se apercebem que não basta ser presença assídua nos Jornais para ser um grande Presidente de Câmara.

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